Acusados podem ter julgamento adiado
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segunda-feira, 03 de agosto de 1998
James Alberti 
O presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, Henrique Lenz César, deferiu, na sexta-feira em Curitiba, habeas corpus adiando o julgamento de quatro dos sete acusados do assassinato de Evandro Ramos Caetano, 7 anos. O menino foi morto num suposto ritual de magia negra, em Guaratuba, em 6 de abril de 1992. O juiz auxiliar da presidência, Antonio Loyola Vieira, disse que a liminar deverá ainda ser confimada ou cassada pelo desembargador Gil Trota Telles.
Se confirmada, a decisão deve adiar o julgamento do pai-de-santo Osvaldo Marcineiro e dois auxiliares de umbanda Vicente de Paula e Davi dos Santos Soares, marcado para o dia 10. O adiamento também vale para o comerciante, ex-funcionário público e filho-de-santo, Francisco Sérgio Cristofolini, que seria julgado em 13 de outubro.
O ex-funcionário da Prefeitura de Guaratuba, Airton Bardelli dos Santos, que administrava a serraria onde o ritual teria sido realizado, é o único do cinco acusados, que ainda não foram julgados, que não foi beneficiado pela medida. Isso porque não é defendido pelos mesmos advogados que pediram o habeas corpus. Os advogados de defesa acreditam, porém, que ele também será beneficiado pela decisão.
O habeas corpus foi impetrado na quinta-feira, pelo advogado Antônio Figueiredo Basto. Ele defendeu que o julgamento dos seus clientes não deve ocorrer antes do parecer do TJ sobre o recurso do promotor Celso Ribas, que pediu a anulação do júri que absolveu Celina e Beatriz Abagge, principais acusadas do crime. Acho que se confirmada a absolvição, não há como existir julgamento para os outros. São, automaticamente, inocentes, disse.
O promotor Celso Ribas considerou absurda a decisão do presidente do TJ. O desembargador, que já se deu por impedido em cinco oportunidades, agora dá liminar adiando o julgamento, reclamou. Querem adiar o julgamento por 3 ou 4 anos por medo da reação da coletividade, que não admitiu o resultado do julgamento anterior, afirmou. Ribas disse que está estudando medidas para evitar o adiamento do júri.


