Acusados negam envolvimento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Vânia Moreira 
O juiz Mauro Henrique Ticianelli, de Guaíra (115 qulômetros a sudoeste de Umuarama) antecipou ontem o interrogatório do empresário Milton Andreis, 37 anos, e do comerciante Roque Fabiano da Silveira, 33 anos, acusados de envolvimento na morte do empresário Quinto Andreis e do filho dele, Celso, executados a tiros dia 10 de julho de 1996. O interrogatório marcado para às 9h30 foi antecipado para às 8 horas, a pedido dos advogados dos acusados. Ticianeli alegou que o interrogatório foi antecipado porque havia mais cinco réus, de outros processos, a ser ouvidos na parte da manhã. O depoimento dos dois durou menos de uma hora e não foi acompanhado pela imprensa.
Milton Andreis negou que tenha mandado matar o tio Quinto. Alega ser apontado como suspeito apenas por causa da disputa judicial entre as duas famílias pela exploração do serviço de travessia por balsas do Rio Paraná, entre Guaíra e Mundo Novo (MS). A empresa de Milton, a F. Andreis, detinha o monopólio do serviço que rendia um faturamento mensal de mais de R$ 1 milhão. Em 95, a empresa de Quinto, a Mineradora Floresta, conseguiu uma liminar para também explorar o serviço. A liminar foi revogada na época do crime. O serviço de balsa acabou em janeiro de 98, quando foi inaugurada a ponte Airton Senna.
O empresário disse que conhece Roque Silveira apenas de vista e que nunca manteve amizade ou negócios com o comerciante, filho dos ex-prefeitos Osvaldino e Ada da Silveira. Também afirmou que não conhece os outros três homens acusados de participar do crime. O policial Ivan Henrique Azevedo, 33 anos, de Mato Groso do Sul e o mecânico Ednaldo Rocha Alves, 37, de Cuiabá (MT) seriam os dois pistoleiros contratados para fazer o serviço. O policial civil sul-mato-grossense Luiz Siqueira da Costa, 43 anos, é acusado de ter planejado o crime, a pedido de Roque, e contratado os pistoleiros. Ednaldo estaria desaparecido.
Milton Andreis negou ainda que tivesse conversado com Roque sobre sua intenção de ver Quinto morto, conforme uma das testemunhas alega ter ouvido. Ele disse também que não conhece o barqueiro Jolcimar Pés, o Jilsão, único condenado até agora pelo duplo homicídio. Roque da Silveira também nega qualquer participação no crime.
A Justiça vai aguardar a citação e interrogatório por carta precatória dos outros três acusados. Depois, começam a ser ouvidas as testemunhas de acusação e defesa. Os promotores Robertson Azevedo e Laércio Almeida arrolaram mais de 20 testemunhas. Se o juiz entender haverem provas suficientes contra os réus, eles irão a júri popular.


