Giovani Ferreira
De Curitiba
A pedido da Promotoria Pública de São José dos Pinhais, os cinco acusados de terem matado Evandro Ramos Caetano, 7 anos, em um ritual de magia negra em Guaratuba, em abril de 1992, ganharam ontem a liberdade provisória. O pai de santo Osvaldo Marcineiro, 47 anos, David de Souza, 37 anos, Vicente de Paula, 48 anos, Sérgio Cristofolini, 38 anos, e Airton Bardelli, 41 anos, respondem processo e tiveram o primeiro julgamento suspenso em outubro deste ano.
Antes de receberem a liberdade provisória eles passaram 4,5 anos encarcerados e quase três anos em prisão domiciliar. Esse é o segundo benecífico concedido pela Justiça em sete anos de processo, onde eles respondem como suspeitos pela morte do garoto. Celina e Beatriz Abagge, que também figuravam como suspeitas de terem participado do crime, foram julgadas e absolvidas em março do ano passado.
Apesar de o processo estar tramitando no Fórum de São José dos Pinhais, a liberdade provisória foi autorizada pelo juiz Fabian Schweitzer, da Vara da Infância e Juventude de Curitiba. Fabian foi designado pelo Tribunal de Justiça do Paraná, que escolheu um juiz de Curitiba porque os juízes que atuavam no caso em São José dos Pinhais foram declarados impedidos, alegando questões técnicas e envolvimento com os acusados.
Os advogados de defesa vêm há três anos pedindo a liberdade provisória de seus clientes, mas foi o Ministério Público que conseguiu o benefício. Os promotores que assinam a solicitação da liberdade destacam dois motivos. Porque eles já cumpriram prisão domiciliar e porque ainda está pendente o pedido de desaforamento do julgamento.
Com a liberdade provisória os acusados ganham o direito de sair de casa. Até então a prisão domiciliar impedia que eles deixassem a residência onde moram. No entanto, o novo benefício impõe algumas restrições, como estar em casa a partir das 22 horas e não frequentar bares. Para se ausentar das cidades eles precisarão de autorização judicial.
Na expectativa de ser julgado inocente, Osvaldo Marcineiro disse que este foi mais um passo para a liberdade definitiva. ‘‘Estou com o corpo preso, mas o espírito e a mente livres’’, disse. Osvaldo e os outros quatro acusados estiveram ontem no Forum de São José para assinar o alvará de soltura e o termo de compromisso da liberdade provisória. Osvaldo, Vicente e David estão morando em Curitiba. Sérgio em Guaratuba e Airton em Garuva.
Enquanto o Tribunal de Justiça não julga o pedido de desaforamento, o processo fica praticamente parado. O Ministério Público continua defendendo a tese de um novo julgamento para Celina e Beatriz Abagge, que no entender dos promotores devem ser colocadas no banco dos réus juntamente com os demais acusados.Cinco acusados de terem matado o garoto Evandro Ramos Caetano em ritual de magia negra em Guaratuba foram liberados ontem
Mauro FrassomLIBERDADEO pai-de-santo Osvaldo Marcineiro assina o alvará de soltura e o termo de compromisso da liberdade provisória, ontem, no Fórum de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba

mockup