Acusados do caso Evandro são condenados
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domingo, 25 de abril de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Após seis dias de julgamento, três dos sete acusados de terem matado o menino Evandro Ramos Caetano, de seis anos, num ritual de magia negra, foram condenados por um juri popular. O crime aconteceu em 1992 no munícipio de Guaratuba, litoral do Paraná. A sentença saiu no sábado à noite e condenou o pai-de-santo Osvaldo Marcineiro, 43, e o pintor Vicente de Paula Ferreira, 54, por homicídio triplamente qualificado e sequestro.
Marcineiro e Ferreira foram condenados à pena de 20 anos e dois meses de prisão cada um. O artesão Davi dos Santos, 42, foi condenado por homicídio mas foi absolvido da acusação de sequestro. Ele vai cumprir pena de 18 anos e quatro meses na prisão. Os três foram julgados por executar o crime de sequestro e sacrifício da criança num ritual de magia negra.
O advogado de dois dos três condenados, Álvaro Borges Júnior, disse ontem que vai recorrer contra a sentença no Tribunal de Justiça do Paraná ainda esta semana. Ele pretende entrar com pedido de habeas-corpus e uma apelação contra a decisão do juiz que decidiu na hora da sentença final restabelecer a prisão preventiva dos réus.
Para o advogado, o julgamento foi perfeito mas ele acha que houve uma exacerbação na pena. Borges Júnior salientou que não havia motivo para o juiz restabelecer a prisão preventiva agora que o período processual foi superado. Borges Júnior acredita que o juíz sofreu pressões para chegar a essa decisão. ''Há 12 anos que esse processo está cheio de forças ocultas que ninguém consegue desvendar'', afirmou.
Borges Júnior destacou que a única prova concreta da ocorrência desse crime está no depoimento dos envolvidos e que nos julgamentos ocorridos até agora ficou evidente que ''todos eles foram obtidos sob tortura''. Para o advogado, o processo criminal é um ''quebra-cabeças, cujas peças que foram utilizadas para a reconstituição dos fatos são muito vulneráveis. Além disso, tem muita influência política no caso'', acrescentou. ''Não existe prova do sequestro, ninguém prova que houve um ritual satânico, e sobre o cadáver encontrado foi feito um exame de DNA na calada da noite'', argumentou.
Este foi o segundo julgamento de um dos casos mais comentados da história do Tribunal do Juri do Paraná, e atraiu a atenção de dezenas de autoridades e delegados de polícia. O processo foi acompanhado por integrantes do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos, do governo federal.
Ainda irão a julgamento Celina e Beatriz Abagge, mulher e filha do prefeito de Guaratuba (litoral do PR) à época do crime, Aldo Abagge, acusadas de serem as mandantes do crime. Sérgio Cristofolini e Airton Bardelli dos Santos, que teriam participado do ritual de magia negra, também irão a júri popular. Celina e Beatriz Abagge foram as últimas a prestar depoimento no julgamento e mantiveram, a exemplo dos réus, a versão de que confessaram a morte de Evandro depois de serem torturadas.(com agência Folha)


