Paulo Pegoraro
De Cascavel
Os empresários Antônio Joaquim Tormena, 51 anos, seu irmão Raineldes, 53, e Giuliano Fabian Tormena, 22 (filho de Antônio), negaram ontem acusação feita em ação penal que corre na Justiça Federal de Cascavel, por tráfico internacional de drogas, de Toledo para a Espanha. Segundo a acusação, eles são responsáveis pelo envio de 1.190 quilos de cocaína à Europa.
Antônio, Joaquim e Giuliano eram donos da Madeireira JRG, em Toledo, e de uma subsidiária na Espanha (a Eurolâminas), através da qual exportavam. Em agosto de 1966, a polícia espanhola apreendeu em Santander um contêiner com lâminas que teria sido despachado pela JRG, no interior do qual estava a cocaína.
O diretor espanhol da Eurolâminas, Luciano Montero Vale, acabou preso, e Joaquim Antônio Tormena, que estava em Santander, conseguiu fugir, retornando ao Brasil. Esta é a versão sustentada pela acusação, feita na Procuradoria da República em Cascavel.
O processo no Brasil se iniciou com uma carta rogatória da Espanha ao Supremo Tribunal Federal, que repassou o caso à Procuradoria em Cascavel. Como as empresas das quais os Tormena eram sócios faliram, eles tiveram o único bem disponível, uma fazenda de 372 hectares no Mato Grosso do Sul, sequestrado pela Justiça.
O advogado da família, Salvador Henrique Von Holleben afirma desconhecer o sequestro, mas a Folha tem seu poder cópia do despacho. A fazenda está registrada em Amambai (MS). Raineldes Tormena mora em Iguatemi, próximo a Amambai, e Antonio e Giuliano Tormena em Toledo.
O procurador Celso Três sustenta que a cocaína ‘‘quase com certeza’’ entrou pelo Paraguai e foi mandada em caminhões de Toledo para o porto de Paranaguá para ser exportada. Os Tormena têm versão diferente. Eles afirmam não terem conhecimento de detalhes do processo existente na Espanha, que corre ‘‘à revelia’’, e que ele não está concluído, por isso não constam como ‘‘condenados’’. No processo brasileiro, também são apenas ‘‘acusados’’ porque o processo está ‘‘em fase inicial’’.

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