Curitiba - Quatro dos oito policiais civis envolvidos na morte do estudante Rafael Zanella, ocorrida em maio de 1997, irão a júri popular. A decisão é do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Por unanimidade, três desembargadores decidiram ontem negar o recurso ajuizado pelos acusados, que não queriam ir a júri popular.
A mãe do estudante morto pela polícia, Elizabetha Zanella, disse que a decisão do TJ a deixou aliviada. Ela disse que chegou a acreditar que a Justiça não procedesse dessa maneira, de forma imparcial. Isso porque os acusados são da ex-cúpula do 12º Distrito da Polícia Civil.
O recurso julgado refere-se aos delegados Maurício Bittencourt Fowler e Francisco José Batista da Costa, o superintendente Daniel Santiago Cortez e o escrivão Carlos Henrique Dias. Os quatro, segundo a acusação, teriam forjado um flagrante de porte e tráfico de drogas e ainda um tiroteio para justificar o assassinato de Zanela.
Para Elizabetha, com o júri popular, quem vai decidir pelo futuro dos policiais será a sociedade. ''Só assim poderei ficar tranquila, porque a sociedade vai julgar o crime que a polícia cometeu e decidir o que eles merecem como pena'', disse. Segundo ela, ''a honradez (do estudante) foi colocada em dúvida pelo cenário armado pela polícia''.
De acordo com o advogado Julio Militão, que representa a família de Rafael Zanella, a Justiça ainda não marcou a data do julgamento. Os acusados devem recorrer da decisão.
Além dos quatro citados ontem pelo TJ, o crime envolve três investigadores e um informante da Polícia. A morte de Zanella aconteceu no bairro Santa Felicidade. O estudante teria sido confundido com traficante de drogas. Após atirar e matar Rafael, os policiais civis teriam tentado mascarar o acidente, colocando drogas no carro do estudante e armas. A intenção seria simular um tiroteio.

mockup