Acusados de matar estudante fazem acareação no fim do mês
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de junho de 1998
Áureo Nogueira 
O juiz da 1ª Vara Criminal de Londrina, Jurandir Reis Júnior, marcou para o dia 30 a acareação entre os irmãos Joel e Rubens Mendes Queirós e testemunhas do caso Cristian, além das vítimas Charles Roger da Silva e Edenildo Rodrigues. O encontro vai acontecer porque um dos irmãos acusados, Joel, negou autoria do crime, tornando-se necessário o reconhecimento dos autores dos disparos.
O caso Cristian começou no dia 12 de julho de 96, em uma lanchonete na Vila Siam (zona leste de Londrina). O estudante Cristian Moretto teria cumprimentando uma moça conhecida. Ela estava acompanhada pelos irmãos Rubens e Joel Mendes Queirós, de 32 e 30 anos, que não teriam gostado da atitude de Cristian. Eles teriam acusado o rapaz de ter mexido com a moça e dispararam vários tiros.
Um dos tiros atingiu Cristian, que morreu em abril do ano seguinte, depois de nove meses e cinco dias de vida vegetativa. Charles Roger da Silva, amigo de Cristian, foi atingido na boca e na altura do ombro. Uma das balas acertou a barriga de Edenilson Rodrigues. Ambos sobreviveram.
A demora da Justiça causou protestos. A mãe de Cristian, Nadir Medeiros Pereira, chegou a escrever para o ministro da Justiça, Renan Calheiros, e para o secretário estadual de Justiça, Eduardo da Rocha Virmond, para que intercedessem junto ao Fórum de Londrina, cobrando mais rapidez na tramitação do processo.
Compreendemos a preocupação da mãe, mas ela não está entendendo devidamente as exigências legais para o trâmite do processo, diz o promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Camões de Carvalho Iassaka. Ele explica que o processo é lento porque houve necessidade de ouvir duas testemunhas através de carta precatória (cumprida por juiz de outra comarca). As testemunhas haviam transferido o domicílio para Curitiba. Para dificultar a execução da carta precatória, o endereço das testemunhas não era mais o mesmo, completa o promotor. Ele assegura que a demora não se deve à falta de vontade da Justiça.
O próximo passo do processo será o depoimento de testemunhas de defesa. Ana Maria Baptista Zanin, dona da lanchonete, e Maikel José Zani, seu filho, são testemunhas-chaves no caso, segundo a advogada de acusação, Rossana Karatzios. Na fase de inquérito policial, ambos afirmaram que ambos os irmãos usaram armas. Por isso, é fundamental que sejam ouvidas em juízo, diz Rossana.


