Londrina
O juiz da 1ª Vara Criminal de Londrina, Jurandir Reis Junior, vai ouvir na próxima segunda-feira o depoimento dos irmãos Joel e Rubens Mendes. Denunciados por homicídio qualificado por motivo fútil e por terem exposto a vida de outros ao perigo (artigo 132 do Código Penal), eles respondem pela morte de Cristian Moretto, 18 anos, e por tentativa de homicídio contra outros dois jovens. O tiroteio aconteceu em julho do ano passado em uma lanchonete da Vila Siam (zona leste). O rapaz morreu em abril deste ano, vítima de complicações do tiro que recebeu nas costas.
Nos últimos meses de vida, Cristian Moretto dividiu seus dias entre o coma e o estado vegetativo. O inquérito policial só foi concluído após a morte do rapaz e chegou a ficar ‘‘perdido’’ durante 19 dias. ‘‘Esperamos que agora a Justiça se faça e os assassinos de meu filho sejam condenados’’, afirmou anteontem à Folha a mãe de Cristian, Nadir Medeiros.
Angustiada com a proximidade do momento em que vai se ‘‘defrontar’’ com os irmãos Mendes, ela diz estar insegura. ‘‘Eles confessaram o crime e mesmo assim continuam livres. Temo que a impunidade prevaleça mais uma vez’’, afirma Nadir Medeiros.
Nos depoimentos prestados durante o inquérito policial, Joel e Rubens confessaram que atiraram nos rapazes e alegaram que Cristian havia ‘‘mexido’’ com a moça que os acompanhava. Os dois irmãos estavam armados. O primeiro tiro atingiu Cristian Moretto nas costas. Outras duas balas acertaram Charles Roger da Silva, amigo de Cristian, na boca e na altura do ombro. Um terceiro tiro atingiu Edenildo Rodrigues na barriga.
A advogada da família de Cristian, Rossana Karatzios, afirma que as testemunhas ouvidas no inquérito policial não confirmam a versão dos irmãos. ‘‘Não houve provocação por parte de Cristian. Esta é apenas uma tentativa de desqualificar o crime’’, acredita. Rossana Karatzios deverá atuar como assistente de acusação e pretende que os acusados sejam julgados por homicídio qualificado por motivo fútil, entre outros crimes. A pena, nestes casos, é de 12 a 30 anos de detenção.
Já na primeira audiência serão arroladas as testemunhas de defesa. Na segunda audiência o juiz ouvirá as testemunhas de acusação. Em uma terceira audiência as testemunhas de defesa serão ouvidas novamente. Depois destas etapas, defesa e acusação apresentam as considerações finais e, a partir delas, o juiz Jurandir Reis Junior decidirá se os réus serão pronunciados e levados a julgamento popular.

mockup