Curitiba - A Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas de Curitiba apresentou ontem dois homens presos por aplicarem o golpe do compulsório da gasolina. Eles teriam obtido uma lista com nomes de pessoas já mortas que possuíam veículos entre julho de 1986 e outubro de 1988, período no qual foi cobrado o compulsório. De posse desses nomes, a dupla teria montado processos requisitando o pagamento dos créditos. O golpe foi de cerca de R$ 30 mil e teria prejudicado 40 pessoas.
Foram presos Ayrton Polidoro de Souza, 65 anos, acusado de vários crimes e com um mandado de prisão expedido pela 7 Vara Criminal de Curitiba; e Jorge Luiz Rosa Falcão, 40 anos. O delegado Cícero José disse que recebeu a denúncia de um escritório de assessoria contábil. Souza teria se apresentado ao escritório como procurador das vítimas, com o nome falso de José Maria Gandolfi. O escritório descobriu que uma das procurações era de uma pessoa já morta e informou a polícia. O delegado disse que o escritório não vai ser investigado porque a atividade que exercia é legal.
Souza e Falcão vão responder por estelionato e falsidade ideológica. Souza não confirmou as informações dadas pela polícia. ''Eu apenas trabalhava na corretagem e entregava os nomes ao agiota que se encarregava de dar prosseguimento ao processo'', relatou. Segundo ele, as pessoas o procuravam através de propagandas de rua. Ele disse que conhece muitos casos de escritórios que aplicam golpes semelhantes, mas não citou nomes. Souza afirmou que teria feito apenas 12 contratos.
As pessoas que possuíam veículos entre 1986 e 1988 no Paraná podem pedir a devolução do compulsório graças à uma ação civil pública ganha pela Associação Paranaense de Defesa do Consumidor (Apadeco). Como a ação já está ganha, basta fazer uma ação de execução até 5 de agosto, quando vence o prazo. Quem tinha um automóvel durante todo o período pode receber até R$ 1,5 mil, sendo que os honorários advocatícios são cerca de 20%. O prazo de pagamento varia de três meses a um ano e meio. O Ministério Público Federal e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estão investigando a atuação irregular de advogados no golpe do compulsório.

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