Acusados de extorsão prestam depoimento na Vara Criminal
Lucilia Okamura e Áureo Nogueira
O comerciante Fredemax Mota e o técnico em agropecuária Aristeu Rodrigues prestaram depoimento ontem de manhã, na 4ª Vara Criminal de Londrina. Eles são acusados de tentativa de extorsão contra as cooperativas de leite Cativa, de Londrina, e Central Norte, de Apucarana, e afirmaram que são vítimas de uma armação política.
De acordo com denúncias feitas por diretores da Cativa, Mota e Neves teriam pedido R$ 80 mil para não divulgar laudos do Instituto Adolfo Lutz (SP), segundo os quais o leite tipo C das duas cooperativas estaria contaminado. O caso se tornou público no ano passado porque o então presidente e um dos diretores da Cativa, Osmar Buzinhani e Alfredo Carvalho, procuraram a Câmara de Vereadores para tratar do assunto.
Tanto Mota quanto Rodrigues reafirmaram ontem que não houve tentativa de extorsão e que os três (também está sendo acusado José Rojas Gavillan, que na época era assessor de Beto Scaff, do PSDB) serviram de bode expiatório. Esse escândalo serviu para esconder os fatos reais das condições de higiene do leite da Cativa e da Central Norte, afirmou Mota.
Buzinhani rebateu as afirmações de Mota e Rodrigues dizendo que tanto a Cativa quanto a Central Norte sempre tiveram grande preocupação com o controle da qualidade do leite e sempre investiram neste sentido, mantendo três técnicos laticinistas e convênios com instituições como Universidade Estadual de Londrina e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
O então diretor da Cativa e um dos autores da denúncia de tentativa de extorsão disse ainda que os acusados deveriam demonstrar claramente como fizeram os encaminhamentos para as análises laboratoriais. Se os técnicos das cooperativas nem da inspeção sanitária identificaram contaminação, como o Laboratório Adolfo Lutz encontrou coliformes fecais nos produtos?, duvida.
O advogado dos acusados, Adolfo Góis, afirmou em entrevista à imprensa que seus clientes foram vítimas de uma troca de favores entre o ex-presidente da Câmara, Adalberto Pereira, e o ex-diretor da Cativa, Osmar Buzinhani. Pereira tinha interesse no escândalo do leite para abafar o caso das contratações irregulares na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), disse Góis. Segundo denúncias feitas na época, alguns vereadores estariam envolvidos nas contratações irregulares. A Câmara daria força às acusações da Cativa e não divulgaria os laudos, afirmou.
Procurado pela Folha, Adalberto Pereira afirmou que nada tinha a ganhar alimentando o caso da Comurb. Não tenho qualquer envolvimento com isso. E o procedimento de levar o caso do leite a plenário foi o caminho normal, e que resultou na formação da Comissão Especial de Inquérito.
Quanto a eventual ligação da Cativa com o ex-presidente da Câmara, o ex-presidente da Cativa (atual presidente da Confepar) disse que a cooperativa não tem nenhum envolvimento político-eleitoral com nenhum candidato e nem partido e que conheceu pessoalmente o major Adalberto Pereira somente por ocasião do escândalo.
Aristeu Rodrigues disse ontem, em seu depoimento, o que já havia relatado na Polícia Civil, quando o caso ainda estava na fase de inquérito. Ele contou que, na época, era assessor do vereador Alvair de Souza (PL) e que, quando ficou sabendo dos resultados dos laudos, telefonou para o presidente da Cativa, mas com boas intenções. Queria alertar e orientar, ressaltou.
Já quanto às boas intenções de Rodrigues, o ex-presidente da Cativa disse apenas que o cidadão falou ao telefone que, se não tivesse R$ 30 mil, o leite estaria contaminado, mas que se tivesse o dinheiro não haveria problema. Também responde ao processo o vereador Jaci Aguiar (PDT).





