Acusados de comprar carteiras dizem que sofrem pressão
Sid Sauer
Os quatro motoristas que prestaram depoimento na 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão, no inquérito que apura a denúncia de venda de carteiras nacionais de habilitação (CNH) na 8ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), disseram que confessaram a compra do documento porque foram pressionados e ameaçados de perder a carteira de motorista pelos auditores do Detran.
Acho difícil que alguém conte à polícia que pagou para tirar a carteira sem fazer os exames, admite o delegado-chefe da 16ª SDP Roberval Butaccini. Até agora, elas estão negando tudo. Segundo ele, um dos motoristas acusados chegou a dizer em depoimento que, depois da acusação de ter comprado a carteira, passou a ter que tomar calmantes. Ele disse que ficou abalado com a pressão dos auditores, contou Butaccini.
O delegado enviou o inquérito ontem para o fórum, pedindo mais prazo para concluí-lo. Além dos 13 motoristas que serão ouvidos (17 foram citados no relatório elaborado pela auditoria), a polícia vai ouvir os funcionários e até o ex-chefe do órgão, Gentil de Lima Costa.
O esquema de venda de CNHs em Campo Mourão começou a ser investigado pelo Detran em fevereiro. De acordo com o auditor Saulo Miranda, foram cerca de 300 carteiras vendidas entre junho do ano passado e o início deste ano a preços que variavam de R$ 200,00 a R$ 500,00. Das 17 pessoas citadas no relatório da auditoria, no entanto, apenas duas confessam que pagaram pela carteira.
Cartel Butaccini enviou também ao Fórum pedido de prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito que investiga denúncia de formação de cartel nos postos de combustíveis da cidade. O inquérito foi aberto em fevereiro a pedido do Ministério Público, depois que uma pesquisa realizada pelo Procon apontou que os 21 postos da cidade praticavam preços iguais.
Até agora foram ouvidos apenas três donos de postos e o secretário executivo do Procon Valter Velozo. Os proprietários já ouvidos negaram que tenha existido acordo para unificar os preços, diz Butaccini. Segundo ele, os donos de postos alegam que existiam diferenças nos preços pelo menos na quarta casa após a vírgula, o que para os revendedores representava uma diferença significativa. O delegado frisa que o inquérito investiga apenas a denúncia de formação de cartel, mas ele não descarta a possibilidade de surgirem denúncias de adulteração de combustíveis e de sonegação de impostos.





