Os irmãos Rubens Mendes Queiroz e Joel Mendes Queiroz, acusados de assassinar Christian César Moretto, baleado em julho de 1996, vão a júri popular na segunda-feira.
O caso ganhou ampla repercussão em Londrina com a campanha intensa da mãe da vítima, Nadir Medeiros Figueiredo, para que o crime fosse julgado. Também teve divulgação para todo o País quando foi mostrado em rede nacional no programa ''Linha Direta'', da Rede Globo, há dois anos. A morte dolorosa de Christian, que depois de baleado permaneceu internado em estado grave durante noves meses, mobilizou a opinião pública.
Em 12 de julho de 1996, Christian estava numa lanchonete na Vila Siam (zona leste) quando teria cumprimentado a namorada de Rubens Queiroz, Luciana Duarte Filho. Com ciúmes, Queiroz teria atirado no rapaz, então com 18 anos. No período de nove meses em que o filho lutou contra a morte, Nadir organizou diversos protestos exigindo a prisão dos acusados. ''Existe muita morosidade na Justiça. Temia que o caso de Christian fosse mais um a ser esquecido'', lembra a mãe.
Dois anos depois, Rubens Queiroz assassinou Luciana, crime pelo qual foi condenado no início deste ano a 17 anos de prisão. Está detido na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Joel, que teria sido cúmplice no assassinato de Cristian, responde o processo em liberdade. O julgamento tinha estava previsto para o começo de novembro, mas foi adiado devido a um problema de saúde da assistente de acusação, Rossana Helena Karatzios.
''A autoria e a materialidade do homicídio estão comprovadas. Apenas temo que a defesa tente desclassificar o crime, que foi realmente homícidio qualificado por motivo fútil'', diz Rossana. Segundo a advogada, o julgamento não deve se estender por dias. ''Se não houver o desmembramento dos dois casos, já que são dois acusados, pode ser que o júri demore muito. Vamos esperar'', explica Rossana.
O promotor José Lafaieti Barbosa Tourinho, que faz a acusação, prefere não adiantar detalhes da argumentação que irá apresentar. ''É conduta dos representantes do Ministério Público apresentar sua tese apenas em plenário'', afirma. ''Mas a acusação relevará outros aspectos, como o perigo a que foram expostas as vidas de outras pessoas, que poderiam também ter sido atingidas no local do assassinato. Reforçaremos o caráter de crime fútil, resultado de uma reação desproporcional a uma situação corriqueira, de ciúmes''.
O advogado de defesa Wagner José Coltro se mostra confiante no julgamento. ''Creio que conseguiremos a absolvição. O processo, as provas, tudo é totalmente favorável a Rubens. Mas seremos nós contra a rede Globo. A pressão da mídia será enorme'', diz o advogado, que levantará a tese de que os acusados agiram em ''legítima defesa''. Se condenado, Rubens Queiroz receberá pena entre 12 e 30 anos de reclusão.

mockup