‘‘Não sou o culpado pelo crime.’’ A afirmação é do vigilante José Irineu Correa, acusado de ter matado com um tiro nas costas o seu colega de trabalho Elias Bernardo da Silva, em Londrina. Na época do crime, em agosto do ano passado, Correa confessou a autoria do assassinato, mas disse ter sido pressionado e abalado com a morte do colega. Ele prestou depoimento ao então delegado do 2º Distrito Policial (DP), Antonio Zuba de Oliva.
Correa relatou que, após ‘‘esfriar a cabeça’’, procurou um advogado para ver quais providências são necessárias para anular o depoimento dado à polícia. Ele contou que o advogado Marcelo Leal está viajando e, por isso, não saberia dizer quais medidas serão tomadas.
O vigilante, que continua trabalhando na mesma firma (Cobraseg), afirmou que ainda está sendo muito difícil conviver com o caso. ‘‘Eu ando nas ruas e tenho a impressão que as pessoas olham para mim e me identificam como um assassino’’, revelou. ‘‘Ainda estou traumatizado’’, acrescentou.
Segundo Correa, Silva era seu amigo. ‘‘Trabalhávamos juntos durante 8 horas por dia e criamos um laço de amizade muito forte’’, afirmou. Ele disse que não tomou a iniciativa de procurar a família da vítima porque ficou receoso. ‘‘A perda de um ente da família é difícil para qualquer um e eu não sei qual seria a reação dela’’, justificou.
Correa explicou que após o crime tirou férias e fez um curso de reciclagem antes de voltar a trabalhar. ‘‘Graças a Deus, não tive nenhum problema até hoje’’, afirmou. Ele é vigilante há dois anos e meio.
Antonio Zuba de Oliva - afastado em fevereiro desde ano do 2º DP por problemas administrativos - exerce hoje a função de delegado em Jataizinho (21 km a leste de Londrina). Ele disse, ontem à tarde, estranhar a nova versão que está sendo anunciada pelo vigilante Correa: ‘‘Tudo bem, é um direito legal que ele tem, o de espernear. Mas, a acusação de que foi pressionado para depor não tem qualquer fundamento. Ele confessou a autoria do crime em depoimento acompanhado pelo seu advogado de defesa, Marcelo Leal, sem qualquer tipo de pressão.’’
De acordo com o delegado, ele concluiu o inquérito sem sentir a necessidade de fazer a reconstituição do crime porque o vigilante preso em flagrante confessara a autoria do disparo que matou Elias da Silva. ‘‘Num primeiro momento, Correa tentou negar que fosse o assassino. Mas depois, diante de algumas evidências encontradas pela investigação e de algumas contradições cometidas pelo acusado, ele acabou confessando o crime por livre e espontânea vontade, na frente do advogado dele. Ele pode estar arrependido de ter confessado, mas duvido que o advogado Marcelo Leal concorde com esta acusação de que houve pressão sobre o depoente’’, ressaltou Zuba de Oliva.

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