Sid Sauer
De Campo Mourão
O trabalhador rural João Rodrigues Martins, 24 anos, acusado de ter matado em abril a comerciante Silvana Maria Barbieri da Silva, na época com 36 anos, pode não ir a julgamento em outubro, como está agendado no fórum de Campo Mourão, por falta de advogado. O júri está marcado para o dia 26 de outubro, com início às 13h30, mas até ontem nove advogados nomeados pela Justiça já tinham se recusado a aceitar o caso.
O décimo advogado indicado, João Alves da Cruz, disse ontem que, a princípio, pegou o caso, mas pode desistir dele a qualquer momento. ‘‘Fiz alguns requerimentos e estou aguardando que a juíza se manifeste para ver se continuo no caso’’, explicou. Um dos requerimentos de Cruz é para que se faça um exame de sanidade mental em Martins. O acusado matou a comerciante com golpes de martelo na cabeça, no dia 10 de abril à noite, e foi preso alguns dias depois.
Cruz acha normal que outros advogados tenham se recusado a pegar o caso. ‘‘Trata-se de uma ação difícil’’, disse. ‘‘É um caso em que o advogado apenas se queima, pois o réu não tem dinheiro’’. Para a polícia, Martins confessou o crime.
Ele disse que tinha sido agredido por alguns homens num bar e, com raiva, foi para casa pegar o martelo disposto a se vingar de alguém. Além de Silvana, ele tentou atacar uma amiga dela, Maria José, que conseguiu escapar.
O presidente da subseção da OAB em Campo Mourão, Pedro Carlos Palma, disse que o atraso de julgamentos por falta de advogados já se tornou comum no Paraná desde que o governo do Estado rompeu o convênio que tinha com a Ordem dos Advogados para a realização do trabalho de defensoria pública. Segundo Palma, os advogados não têm nenhuma obrigação de trabalhar de graça.

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