Londrina
O motorista da Polícia Civil Jovaci Pereira Júnior, 50 anos, denunciado pelo promotor substituto Nideraldo José Real, de Cambé, por formação de quadrilha e envolvimento no assassinato do agricultor russo Kusma Ovchinnikov e o filho dele, Sava, de 2 anos e meio, sofreu um acidente automobilístico na noite de anteontem, na PR-445, quilômetro 387 (próximo ao posto Portelão, em Cambé). Por volta das 21h30, o motorista trafegava com o automóvel Escort, placas ADE-9076, de Campo Mourão, quando colidiu frontalmente com o caminhão Mercedes Benz, placas ACC-9936, de Arapongas, conduzido por Jurandir Andrade.
Apesar da violência da colisão, Jovaci Pereira foi encaminhado até a Santa Casa de Cambé com ferimentos leves e depois liberado. Na manhã de ontem, deu entrada na Santa Casa de Londrina, onde foi submetido a exames de raio-X. Por volta das 14 horas, voltou para casa sem apresentar complicações. Andrade não sofreu ferimentos.
Motorista da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Jovacir Pereira Júnior também é proprietário da Transportadora Java e possui dois caminhões, um Mercedes Benz ano 94 (placas AER-9585) e um Volvo ano 86. O primeiro veículo teria sido utilizado de ‘‘isca’’ para atrair Kusma para o chamado ‘‘golpe do chute’’, que acabou resultando na morte do russo e da criança.
Jovaci foi apontado pelo comerciante Jairton Silva Aleixo, também denunciado pelo Ministério Público por participação no latrocínio, como o mentor do golpe. O golpe funcionaria da seguinte forma: depois que a compra do caminhão, intermediada por Aleixo, estivesse concretizada, e o russo já tivesse com a posse do veículo, Jovacir apareceria se identificando como policial e tomaria o caminhão de volta - alegando alguma irregularidade. O russo então ficaria sem o veículo e também sem o dinheiro.
No dia do crime, Jairton levou Kusma, sua esposa Evdokia e o filho do casal até um posto da avenida Tiradentes para comprar o caminhão. Em determinado momento, Jairton se afastou e apareceram Divino Aparecido de Lima, o ‘‘Maringᒒ, e José Aparecido de Castro, o ‘‘Reis’’, que deram voz de assalto e levaram o agricultor e a família no próprio carro. No caminho, Kusma teria reagido. Ele e o filho foram mortos. Os assaltantes fugiram com R$ 15 mil do russo. Maringá, Reis, Jovaci, Aleixo e Vanderlei Soares, o ‘‘Vagalume’’, foram denunciados por participação no latrocínio.
Depois das suspeitas do envolvimento do motorista e também do investigador Luiz Cláudio Xavier com a morte do russo - que teria informado Jovaci sobre a intenção de Kusma em comprar um caminhão -, o delegado-chefe da 10ª SDP, Leonyl Ribeiro, afastou os dois funcionários da Polícia Civil de Londrina o os colocou à disposição do Departamento da Polícia do Interior (DPI), em Curitiba. Este mês, Jovaci estava em férias.
Enquanto o motorista e o investigador estão afastados das funções na Polícia Civil, o delegado Idelberto Lagana, de Apucarana, conduz ‘‘investigação preliminar’’ - uma espécie de inquérito administrativo - para saber se os dois infringiram alguma norma no cumprimento do exercício profissional. ‘‘No máximo até terça-feira concluo o trabalho e encaminho parecer para o Conselho da Polícia Civil’’, disse o delegado, sem adiantar o resultado.
Lagana diz que se for comprovado irregularidade, o motorista e o policial poderão sofrer uma sindicância interna (no caso de envolvimento leve), cujas penas são disciplinares; ou um processo disciplinar (envolvimento grave), já com objetivo de expulsão dos dois do quadro da Polícia Civil. ‘‘Pelas informações que eu já tenho não haverá necessidade de ouvir o Jovaci para concluir o parecer’’, acrescentou o delegado.
O juiz de Cambé, Paulo Roldão, está analisando as denúncias do promotor para dar continuidade ao processo na Justiça. Jovacir deverá ser interrogado no próximo dia 4 de agosto. O crime de latrocínio e formação de quadrilha é qualificado como hediondo e a pena oscila entre 20 a 30 anos de reclusão.

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