O cobrador Valdir Gomes de Freitas, 49 anos, conhecido como Gaúcho, disse ontem em Maringá que não tem nenhuma ligação com o homicídio do médico Francisco de Assis Coimbra Júnior, morto há dois anos. Gaúcho foi preso anteontem em uma propriedade rural de Medianeira, região de Cascavel, depois de 22 dias foragido. Ele e o também cobrador Luis Cássio da Silva, tiveram a prisão temporária decretada no final de junho, acusados de envolvimento na morte de Assis Coimbra. O delegado-chefe da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Maurício de Oliveira Camargo, abriu sindicância para apurar a ajuda de policiais da cidade na fuga de Gaúcho.
Segundo o delegado, o acusado disse a um repórter policial da cidade que recebia informações de policiais civis de Maringá antes e durante a fuga. ‘‘Vamos apurar se existia mesmo ajuda daqui de dentro’’, avisou. A Folha apurou que pelo menos um policial civil já foi afastado da delegacia. O delegado disse ainda que foi possível encontrar o acusado graças às ligações telefônicas que ele fazia para a família e alguns contatos na região, que tiveram os telefones ‘‘grampeados’’. Camargo acha que Gaúcho será ouvido ainda esta semana.
Muito nervoso, o cobrador foi apresentado à imprensa ontem à tarde e negou todas as acusações. ‘‘Não conhecia o médico, nunca convidei o Luis Cássio para nenhum trabalho e não me apresentei porque o advogado disse que iria quebrar o pedido de prisão’’, alegou. O advogado dele, Carlos Eduardo Buchweitz, disse ter avisado sobre o risco da polícia descobrir onde estava através dos telefonemas. Gaúcho disse ser ‘‘mentira’’ que policiais passavam informações. ‘‘Apenas um policial me disse do pedido de prisão’’, alegou.
Ele garantiu ainda que não está acobertando ninguém, e não tem o que temer em relação ao crime contra o médico. ‘‘Minha arma está com a polícia para ser periciada e fico preso até tudo estar esclarecido’’, disse. Gaúcho contou que conheceu Luis Cássio na campanha política do falecido ex-vereador Miguel de Oliveira, do qual era ‘‘compadre’’. Oliveira, que morreu em abril durante uma cirurgia, também é suspeito de estar envolvido no homicídio de Assis Coimbra. O médico sumiu de Maringá no dia 22 de julho de 1998. O corpo dele foi encontrado com marcas de tiro e espancamento na cabeça 35 dias depois, na zona rural de Sertanópolis (40 quilômetros ao norte de Londrina).

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