O cobrador Paulo Wanheimburg, 34 anos, preso na delegacia de Maringá desde 1998 acusado de matar o professor Alcir Cirilo de Queiroz, revelou na semana passada que cometeu o crime por encomenda. Ele defendia a versão de que matou Queiroz por causa de um desentendimento durante um passeio no Parque do Ingá. Com a mudança no comando da Polícia Civil de Maringá, a família de Queiroz procurou os novos delegados, que decidiram ouvir Wanheimburg novamente.
O delegado-operacional José Aparecido Jacovós disse que o acusado foi chamado e, junto com um promotor, acabou mudando a versão do crime. ‘‘Depois do depoimento ele fez exame no Instituto Médico-Legal (IML) para comprovar que não foi pressionado a mudar a versão’’, explicou Jacovós. Até a semana passada Wanheimburg dizia ter discutido com Queiroz no Parque do Ingá. Decidido a se vingar, teria seguido o professor e preparado o crime.
Na noite do dia 4 de março de 98, ele foi até o Colégio Estadual Tancredo Neves, no Conjunto Record, onde Queiroz lecionava, e aguardou o professor no estacionamento. Quando ele já estava dentro do carro, Wanheimburg se aproximou e disparou quatro tiros. Alunos da escola anotaram a placa do veículo usado pelo cobrador, que foi preso três meses depois em Curitiba. Próximo de ser julgado, o que deveria ocorrer até o final de julho, o acusado revelou agora que foi contratado para matar Queiroz, mas alega não saber o motivo do crime.
Pela nova versão, o tratador de cavalos Jaime Ferraz, de Jandaia do Sul (18 km a oeste de Apucarana), teria pago R$ 5 mil pela morte do professor. Jacovós disse que acionou a polícia de Jandaia do Sul, mas ficou sabendo que Ferraz foi morto em maio do ano passado em uma briga de bar. ‘‘Perdemos a continuidade das investigações, mas vamos continuar trabalhando no caso’’, afirmou Jacovós, que não acredita ser Ferraz o mandante. Ele não quis falar também sobre as denúncias da família, que suspeita de ligações do prefeito de São João do Ivaí, Ivens Simão (PFL), com o crime.
Antes de se mudar para Maringá Queiroz foi funcionário da prefeitura de São João do Ivaí e participou de uma auditoria nas contas do município. A Folha tentou falar ontem com o prefeito Simão, mas ele não foi encontrado durante todo o dia nem retornou as ligações. Um assessor dele, que se identificou como ‘‘Zanoni’’, disse que o prefeito estava em Curitiba. Zanoni garantiu ainda que Simão não tem nenhuma ligação com o crime e já foi absolvido da maior parte das denúncias originadas da auditoria onde o professor Queiroz atuou.

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