Acusado é transferido para DP
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2001
Érika Pelegrino de Londrina 
Depois de quatro anos lutando para que o acusado da morte de seu filho, Cristian Cesar Moretto fosse preso, Nadir Medeiros Pereira teme que agora Rubens Mendes Queiroz fuja antes de ser julgado. O acusado foi transferido, na última segunda-feira, da Prisão Provisória de Londrina (PPL), onde estava desde o dia oito de novembro do ano passado, para o 2º Distrito Policial (DP). O julgamento deve acontecer entre fevereiro e março deste ano.
Nadir Pereira acredita que a transferência tenha sido premeditada para facilitar a fuga de Queiroz. Ele foi transferido justamente para o 2ºDP onde seu irmão (Joilson Mendes de Queiroz) tem livre acesso. Porque não foi transferido para outro distrito, afirmou. Tenho certeza que a carceragem vai facilitar a fuga dele.
A Folha esteve ontem no 2º DP e os investigadores de polícia sabiam apenas que um Rubens Mendes de Queiroz tinha sido transferido, mas na ficha não constava o tipo de crime cometido, enquanto que dos outros presos a qualificação estava especificada. Ao serem informados de que se tratava de um acusado de homicídio, os investigadores mostraram-se surpresos. O delegado titular, José Arnaldo Peron Martins já havia saído para o plantão na 10ª SDP.
Apenas um funcionário da carceragem sabia que Queiroz estava lá e que é acusado de assassinato. Segundo ele, a transferência teria sido feita para manter Queiroz mais próximo da família, que mora naquela região (zona leste de Londrina) facilitando as visitas. Quando o detento não é perigoso isto é comum, alegou.
Um investigador de polícia disse que o intercâmbio entre detentos da PPL e dos distritos é comum, mas não em casos de homicidas. O funcionário da carceragem chegou a dizer que Queiroz não é preso perigoso. Os funcionários do 2º DP não quiseram se identificar.
O delegado João Eduardo Carulla, que responde pela 10ª SDP durante as férias do delegado chefe, Gilson Garret, disse para a Folha apenas que Queiroz foi transferido porque estava ameaçado de morte na PPL. A mãe de Cristian disse que pediu a Carulla que Queiroz fosse transferido para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).
Ele alegou que para a PEL vão apenas os já condenados, mas eu sei que existem exceções. Um funcionário da PPL que me informou sobre a transferência do Queiroz para o 2º DP me disse também que tem um traficante aguardando julgamento na PEL, afirmou.
O delegado da PPL, Valdir Fernandes, desmente a versão de transferência para deixar Queiroz próximo da família. Segundo ele, o detento levou uma surra no último domingo e na segunda-feira foi levado para o 6º DP para fazer o boletim de ocorrência e depois para Instituto Médico Legal para fazer exames de lesão corporal.
Como o 2º DP também estava com problemas com um detento fizemos uma permuta, afirmou Fernandes. Eu nem sabia que a família dele mora lá perto. Só ia deixá-lo lá até a situação se acalmar, mas amanhã (hoje) mesmo já vou trazê-lo de volta, afirmou. O delegado do 2º DP, José Arnaldo Peron Martins não foi localizado pela Folha. Ele não estava no 2ºDP e até às 19h30 não tinha chegado para o plantão na 10ª SDP.


