Acusado diz que desviou palmito
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quarta-feira, 16 de maio de 2001
Ellen Taborda Enviada a Paranaguá 
Apenas uma das nove pessoas ouvidas ontem pela Justiça Federal confirmou ter participado da retirada ilegal de palmito da Fazenda Bom Jesus, em Antonina, administrada pelo Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O único que confirmou ter participado foi Hélio Farias Ramos, que disse ter levado o palmito extraído para a Fábrica Tropical. Tinha um acerto para pegar o produto e os vigias sabiam disso. Os acusados foram ouvidos pelojuiz da 1ª Vara Federal de Paranaguá, Nivaldo Brunoni.
Oito depoentes negaram participação na retirada de 30 mil unidades de palmito da fazenda. O chefe de vigilância da fazenda, contratato pela empresa Sentinela, Benedito Antenor de Oliveira, negou todo o depoimento que deu à Polícia Federal (PF) em março. Ele afirmou que foi ameaçado pelos policiais para dizer que recebia dinheiro para distribuir entre os vigias, que deixariam passar o carregamento de palmito. O juiz disse que vai abrir um inquérito policial para investigar a suposta ameaça dos policiais.
Os outros quatro vigias também negaram participação no caso, contradizendo o depoimento à PF. José Silvino da Silva disse que ficou sabendo por outros que estava havendo extração ilegal. Ele não soube explicar como não tinha visto carregamentos saindo da fazenda. Ela é muito grande, tem muitas saídas.
Além dos vigias, o juiz ouviu também outros três homens acusados de cortar o palmito. Todos eles também negaram os depoimentos à PF. Dizem que estavam na fazenda de passagem, procurando emprego, conta Brunoni.
O dono da Tropical, Nelson Waldemann Filho, prestou depoimento à Justiça na época em que foi preso, em março. O juiz conta que ele confessou que comprava o palmito da fazenda e que a extração ficou acertada através de um acordo entre o superintendente do Ibama e o responsável pela Sentinela. O dinheiro da venda para a Tropical seria usado para quitar uma dívida do Ibama com a Sentinela.
O superintendente do Ibama no Paraná, Luis Antonio Nunes de Melo (conhecido como Manaus), será ouvido pela Justiça Federal no dia 26 de julho. Todos os nove indiciados que prestaram depoimento ontem também têm nova audiência no mesmo dia.
De acordo com o delegado da PF em Paranaguá, Roberto Pianowski, Melo será indiciado por conivência no crime ambiental.


