Curitiba - O pai-de-santo Osni Noronha, acusado de triplo homicídio qualificado, negou ontem que tenha assassinado seus dois filhos no dia 16 de dezembro de 1998. Ele está sendo julgado pelo assassinato deles e de Fernando Pilatti, irmão de sua ex-amante e mãe das crianças Carla Pilatti. De acordo com o argumento utilizado pelo Ministério Público, Noronha era casado e mantinha há oito anos um relacionamento extraconjugal com Carla. Do relacionamento, eles tiveram dois filhos: Lucas Raziel Pilatti Noronha e Maria Clara Pilatti Noronha.
Os dois teriam se conhecido através da mãe de Carla, Elone Maria Walter. Elone estaria preocupada com uma doença da filha que não tinha cura e teria levado Carla para o Centro Espírita Jesus nos Leva ao Pai, de propriedade de Noronha. Depois de um relacionamento aparentemente duradouro, Carla teria decidido terminar o romance. No dia do crime, ela e o irmão Fernando teriam ido conversar com Noronha para acertar detalhes da pensão para seus filhos. Noronha teria acompanhado os dois até a casa deles, no Jardim Vergínia, periferia de Curitiba. Lá, eles teriam discutido.
Noronha teria então disparado tiros contra Carla e Elone, que teria sido atingida de raspão. Fernando teria tentado impedir uma tragédia e teria sido acertado fatalmente, com um tiro na cabeça. Depois, o pai-de-santo teria ido à sala e baleado as crianças que dormiam no sofá. Noronha fugiu e se apresentou à polícia apenas no dia 24 de dezembro.
A defesa do acusado diz que Noronha atirou em Fernando em legítima defesa. O pai-de-santo teria sido atraído até a casa de Carla para ser assassinado, numa suposta emboscada planejada por Elone. As crianças teriam sido assassinadas por outra pessoa.
''Eu não matei meus filhos'', disse várias vezes chorando o réu. Ele chorou muito durante toda a audiência. O coração dele foi monitorado por várias vezes por uma equipe médica que o acompanhava na audiência. ''Eu não aguento isso'', dizia em voz baixa. A primeira testemunha a depor foi Luciano Oscar Pilatti, tio de Carla e cunhado de Elone. Ele foi a primeira pessoa a chegar na casa após o triplo homicídio. Luciano não trouxe novidades no processo. Num depoimento confuso, disse apenas não ter muito contato com Carla e Osni, a quem tinha visto numa única oportunidade.
Ao todo deverão ser ouvidas dez testemunhas. A acusação dispensou uma delas: Eunice Lima, vizinha de Carla. Eunice estaria com problemas de sa© úde. Todas as outras serão ouvidas até hoje, data em que se encerra o julgamento.

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