Lúcio Horta
De Londrina
O delegado de Trânsito da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Roberto Humming, ouviu ontem o acusado de ter atropelado o menor Diego Bueno, 13 anos, provavelmente durante um ‘‘racha’’. Antonio Carlos Moreira de Lima Júnior, 18 anos, conhecido como ‘‘Baba’’, foi denunciado na tarde de sábado por Marcos Aparecido Santos, que teria ouvido Baba comentar sobre o atropelamento em um bar.
O acidente aconteceu no dia 5 de dezembro, na Avenida Brasília (BR-369). Segundo Baba, que negou o atropelamento, no dia do acidente ele estaria num bar do Jardim Pindorama (zona oeste). ‘‘Fiquei lá até às 20h30. Depois fui com amigos para uma na Avenida Leste-Oeste, onde fiquei até 11h30. Tinha um monte de gente que estava comigo e que pode comprovar’’, afirmou. Da choperia, disse que foi para outro bar, chamado Armazém, e de lá teria saído por volta da 1h40.
Antonio Carlos afirmou ainda que foi do Jardim Pindorama até a choperia num Corcel II marrom claro, de um amigo chamado Xavier. Foi o próprio Xavier quem teria conduzido o veículo. Ele disse que não tem carro e que não conhece ninguém que já tenha sido proprietário de um Passat cor amarela, apontado por testemunhas como o veículo que atropelou e matou Diego Bueno.
‘‘Eu sei dirigir, mas nunca tive carro e nem participei de racha. Meus amigos todos confirmam essa história. Não sei por que esse rapaz está me acusando. Nunca tive nada com ele’’, afirmou. Além dele, estiveram na polícia ontem de manhã o advogado Vilson Donizeti Galvão, contratado pelo acusado, e o pintor Marcos Martins Miranda, 20 anos, que estaria com Baba na hora do acidente. Miranda confirmou a história do amigo.
Segundo Marcos Santos, que antes de procurar a polícia fez um contato com familiares de Diogo Bueno, um dia após o atropelamento ele esteve em um bar, na Vila da Fraternidade, onde teria ouvido o suspeito dizer a duas pessoas que teria atropelado o menino. Ao perceber que Santos ouviu a conversa, Baba teria ameaçado o rapaz. Na semana passada, ao surgir o boato de que seria o suspeito pelo atropelamento, Baba teria depredado a casa de Santos. Por isso, ainda no sábado, Baba foi preso pelo serviço reservado da Polícia Militar e depois liberado.
Baba também negou ontem estar ameaçando Antonio Carlos e de ter depredado a casa do acusador. ‘‘Os vizinhos lá sabem que são as pessoas que apedrejaram a casa dele. Parece que é um problema com dívida. Mas nunca tive nada com ele, só fui na casa dele umas duas vezes, mas não o conheço direito’’, afirmou.
O delegado Roberto Hummig adiantou ontem que pretende ouvir todos os amigos indicados por Baba para ver se confirma a versão apresentada por ele. O delegado acrescentou que a informação de que o acusado teria apedrejado a casa de Marcos Santos pode ser descartada. ‘‘Parece que foi realmente outra pessoa, por causa de uma dívida’’, ponderou.
O delegado informou que está também investigando outros dois ou três nomes, que também poderiam ser a pessoa que atropelou Diego Bueno. Hummig informou ainda que a hipótese do ‘‘racha’’ está praticamente descartada por causa do depoimento de um policial militar que teria visto o atropelamento. O policial disse ao delegado que só viu um veículo, e não dois, quando houve o acidente.

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