Acusado de sequestro fica em Londrina
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sexta-feira, 01 de setembro de 2000
Lino Ramos De Londrina 
O piloto Gerson Palermo, 43 anos, foi transferido no início da noite de ontem para a Prisão Provisória de Londrina (PPL). Palermo é apontado como membro da quadrilha que sequestrou um Boeing da Vasp para roubar um malote com R$ 5 milhões, pertencente ao Banco do Brasil. A aeronave foi desviada da rota Foz do Iguaçu-Curitiba e o piloto obrigado a pousar em Porecatu (85 km ao norte de Londrina), de onde a quadrilha fugiu com o dinheiro.
Durante toda tarde, a Polícia Federal tentou transferir o acusado para a Penitenciária Estadual de Londrina unidade mais segura mas a Vara de Execuções Penais teria informado que não havia vaga. A última fuga na PPL ocorreu dia 26, quando Anderson de Jesus Dias, 23, o Cabecinha, condenado a 12 anos por homicídio, sumiu misteriosamente da unidade.
Palermo permaneceu por dois dias na Superintendência da PF em Foz, onde foi submetido a interrogatório e reconhecimento de testemunhas. O piloto retornou no início da tarde de ontem à Londrina em um avião Bandeirante da PF. O delegado Sandro Roberto Viana dos Santos, responsável pelo inquérito, voltou a dizer que a investigação é sigilosa e que não poderia revelar detalhes do trabalho policial. Apenas resumiu que a polícia tem fortes indícios da participação do piloto no crime.
Segundo o chefe interino da Polícia Federal em Londrina, João Luiz do Prado, 12 testemunhas participaram do reconhecimento de Palermo em Foz e duas pessoas confirmaram o envolvimento do piloto com o crime. Prado não confirmou a informação de que uma testemunha teria visto o acusado dentro do avião sequestrado. Houve dois reconhecimentos mas não é possível revelar as circunstâncias em que isso ocorreu, resumiu o delegado. Prado também não descartou a possibilidade do piloto ser levado a Curitiba para novas tentativas de reconhecimento.
Em Foz do Iguaçu, o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado e de Inquéritos Especiais (Dcoie), ouviu Palermo durante duas horas. O depoimento estaria relacionado aos R$ 66,3 mil encontrados com o acusado quando foi preso em São Paulo. Eu nunca estive em avião nenhum, gritou Palermo, enquanto era escoltado de volta à cela.
O delegado Sandro Viana deve pedir a prorrogação da prisão temporária por mais cinco dias. O prazo vence hoje. Na Prisão Provisória, os agentes procuraram demonstrar que a presença do principal acusado pelo crime do Boeing não mudou a rotina da unidade. Ele está num X (cela) normal como os outros presos, afirmou um agente penitenciário. Mas a segurança na unidade foi reforçada com a chegada de Gerson Palermo. (Colaborou Emerson Dias)


