Acusado de roubar prédios de luxo é preso por acaso
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segunda-feira, 10 de abril de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Uma boa memória para fisionomia e uma mãozinha do acaso ajudaram o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Sérgio Luiz Barroso, a prender ontem um suspeito que vinha procurando desde 2003. Naquele ano, Rui Clementino da Silva Filho, 42 anos, teria furtado pelo menos R$ 1 milhão de apartamentos de luxo na cidade.
O delegado contou que estava almoçando em um hotel de luxo, ontem, quando reconheceu o suspeito no restaurante. Barroso era delegado-operacional da 10 SDP na época em que uma série de furtos a apartamentos de alto padrão era investigada em Londrina. Segundo ele, em dois edifícios as câmeras de segurança registraram imagens de Silva Filho, o que motivou um mandado de prisão contra ele em abril de 2004. O suspeito estava foragido.
As circunstâncias em que Silva Filho foi encontrado indicam que ele se preparava para cometer novos furtos em Londrina. ''Ele chegou nessa madrugada (ontem), repetindo o procedimento que sempre segue ao chegar em uma cidade para furtar: veio de avião, hospedou-se num hotel de luxo com nome falso e pretendia permanecer até a véspera do feriado'', explicou.
De acordo com Barroso, o suspeito pertence a uma quadrilha do Rio de Janeiro conhecida como ''Mauricinhos do Botafogo'', que já teria passado por várias cidades do País. No Paraná, há suspeitas de que também tenham atuado em Maringá, Foz do Iguaçu e Curitiba. Uma das abordagens mais comuns da quadrilha é procurar imobiliárias em busca de apartamentos caros que estejam à venda.
''Eles vão até o prédio conhecer o imóvel e ficam conhecidos do porteiro. No feriado, ligam para todos os apartamentos para verificar onde não há ninguém, voltam ao prédio com o pretexto de dar mais uma olhada no imóvel e invadem os apartamentos vazios, levando dinheiro e jóias'', detalhou o delegado, revelando o descuido dos próprios condomínios.
A polícia levantou que Silva Filho é fugitivo da Penitenciária Franco da Rocha, em São Paulo, e também esteve preso no Rio. Ele foi autuado em flagrante por posse de documento falso, pois portava a identidade de Marcelo Jorge de Paula e uma carteira de habilitação em nome de Rubim Alberto Leite. O preso não quis falar com a imprensa.


