Acusado de morte foge de hospital
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de outubro de 1998
Dimitri do Valle 
Acusado de matar um adversário político, Jadir dos Santos Gouvêa, 31 anos, fugiu na manhã de ontem do Hospital Cajuru, em Curitiba. Ele estava internado desde a madrugada de domingo com um tiro de raspão que recebeu em tiroteio no município de Itaperuçu. Cunhado do atual prefeito da cidade, Gentil Paske (PSDB), Jadir é apontado como o autor dos disparos que mataram Josmar Ezequiel Joekel Vaz, 31 anos, sobrinho do ex-prefeito Manoel Joekel. Josmar, que era rival político de Jadir, levou seis tiros.
Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Cajuru, Jadir dos Santos Gouvêa chegou ao pronto-socorro acompanhado de um homem, que se identificou apenas como seu primo. Jadir estava caminhando e solicitou atendimento médico particular. Orientou a recepção do hospital que não receberia visitas. O setor de enfermagem só notou a falta do paciente por volta das 11 horas de ontem. Policiais militares chegaram a se dirigir até o hospital, mas já era tarde. Jadir tinha escapado.
Na tarde de domingo, o setor de assistência social do Cajuru, que possui a lista dos pacientes, não tinha confirmado a internação de Jadir. Ele e mais três homens, um deles conhecido apenas por Celso, trocaram tiros com Josmar por volta das 23h20 de sábado em Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba, a 300 metros do destacamento da polícia.
O motivo do confronto seria uma provocação política. Josmar transitava com sua picape saveiro pela Avenida São Pedro. Jadir e seus cabos eleitorais trafegavam com um gol e uma caravan em sentido contrário. Eles aproveitaram para jogar santinhos no carro de Josmar. Era o estopim para a fuzilaria.
O delegado José Maria Costa responsabilizou o prefeito Gentil Paske (PSDB) pelo confronto. Segundo Costa, Paske mandou Jadir e seus companheiros distribuirem cestas básicas em torca de votos para o candidato a deputado estadual Cleiton Kielse Crisóstomo (PFL). Paske negou a acusação e responsabiliza o delegado de agir como cabo eleitoral e não como autoridade policial.


