Acusado de morte em Guaravera fala de pinga e diz ser inocente
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Luiz Taques 
Londrina
Vardão entrou numa enrascada danada no final de semana por causa da bebedeira. Ele agora está preso, acusado de matar um andarilho. Ele nega a autoria do crime. O homem se suicidou, defende-se Aparecido Moreira da Silva, o Vardão, bóia-fria de 24 anos, morador do distrito de Paiquerê, e até então sem passagem pela polícia.
Nunca vi um sujeito se suicidar com quatro facadas, comenta o delegado Irineu Lovato, do 6º Distrito Policial, que investiga o crime. A morte do andarilho ocorreu na madrugada de domingo para segunda-feira, na fazenda São Manoel, entre os distritos de Paiquerê e Guaravera. O seu colega, delegado Jorge Barbosa, do 5º Distrito Policial, no entanto, já viu uma pessoa se suicidar com três facadas. Foi há uns 10 meses, lá em Astorga, e a pessoa morreu depois de dar três golpes no próprio abdômen.
O andarilho Valter Lucas de Jesus, 44 anos, o Doginho, apareceu morto com quatro facadas no peito. No dia anterior, Doginho e três bóias-frias de Paiquerê - Cândido Barbosa Neto, Vardão e José Carlos Bastos - tomaram todas e mais algumas garrafas de pinga.
Eles estavam bêbados demais horas depois, conta o delegado Irineu Lovato. Os quatro e mais o bóia-fria Adão Barbosa (este não se encontrava no local do crime naquela noite) haviam sido contratados há quase um mês pelo empreiteiro Armando Pereira Martins para trabalhar na fazenda São Manoel.
No domingo à noite, Vardão e Doginho teriam discutido. As causas seriam uma marmita de comida e uma garrafa de pinga.
Doginho amanheceu durinho da silva, segurando uma faca na mão direita, levantando a suspeita de que teria se suicidado. Porém, um tio dele, José Antonio dos Santos, motorista aposentado em Londrina, garantiu que na verdade Doginho era canhoto.
Interrogados ao final da tarde de segunda, Cândido Barbosa e José Carlos Bastos disseram que viram Vardão golpeando Doginho com uma faca. Acontece que, até uma da tarde de segunda-feira, Cândido Barbosa, por exemplo, permanecia dormindo com um baita sol na cara. Parecia que ele estava meio desmaiado, diz o delegado Irineu Lovato.
Levado para a Delegacia, Cândido dormiu até às cinco da tarde, quando foi acordado para prestar depoimento. Conforme o delegado, José Carlos também apresentava sinais de embriaguez até ao meio-dia de segunda-feira. Eles falaram que escutaram um barulho, acenderam a lamparina e viram Doginho levando as facadas. Depois dormiram novamente, e só na manhã seguinte sairam para avisar o empreiteiro, diz o delegado.
O Doginho falou que se eu não desse mais uns goles de pinga, ele se mataria. Eu acordei com aquela perna dele esticada batendo em mim. Acendi a lamparina, já vi ele morrendo com a faca na mão, garante Vardão.
Jamel é a pinga preferida por Vardão. Chego a tomar uma garrafa por dia, sem comer nada, fico só na força do álcool. Ele insiste: Se fosse eu o assassino, não esperava a Polícia chegar, né?


