O publicitário Marcos Antônio Germano de Souza vai a júri hoje em Londrina, acusado de matar a esposa Rosiane Gonçalves da Silva, em novembro de 1994. Ela foi encontrada morta no banheiro do apartamento onde morava com o marido, na Rua Goiás, área central da cidade. A morte tinha sido interpretada como suicídio, mas uma reviravolta no caso apontou a hipótese de homícidio.
Na época, o corpo de Rosiane foi levado para ser sepultado em Curitiba, onde moram seus parentes. Antes de enterrá-la, a família não aceitou a causa da morte e pediu a realização de novos exames. O laudo do IML de Curitiba apontou que Rosiane havia sido morta por estrangulamento. Na reconstituição do crime, tempos depois, a hipótese de homicídio foi reforçada.
O promotor Miguel Sogaiar será o responsável pela acusação. Ele foi nomeado para o caso há pouco mais de um mês pela Procuradoria-Geral da Justiça, após pedido de afastamento da promotora Silmara Nogari, que alegou motivos de foro íntimo. Sogaiar não quis adiantar a tese da acusação mas disse que irá pedir a condenação do publicitário por homicídio duplamente qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos.
Já o advogado de defesa, Aparecido Medeiros dos Santos, vai alegar a negativa de autoria para manter a hipótese inicial de suicídio. Para a mãe da vítima, Leonice Gonçalves da Silva, a filha não teria motivos para se matar. Ela havia conversado com Rosiane horas antes de sua morte e contou que a filha não aparentava preocupação. Numa carta enviada à Folha, Leonice relatou: ‘‘eu a conhecia muito bem, ela tinha muita vontade de viver e jamais cometeria um desatino desses.’’
Por falta de condições financeiras, a mãe não conseguiu contratar um advogado para auxiliar na acusação. Leonice da Silva estará no Tribunal do Júri e pretende convencer os jurados com cartazes mostrando a sua dor e revolta.

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