Telma Elorza
De Londrina
Seis anos depois, um dos crimes de maior repercussão no Norte do Paraná vai a julgamento hoje, a partir das 13h30, no Tribunal do Júri de Cornélio Procópio. O comerciante Antônio Marcos Mantovani, 28 anos, réu confesso, será julgado pelo assassinato da modelo londrinense Loanda Marlyn Milani, 18 anos. O comerciante, na época com 22 anos, teria matado a modelo com um tiro de espingarda na cabeça, no dia 20 de março de 1994, naquela cidade. O réu está em liberdade.
O julgamento, em Cornélio, vai ser presidido pelo juiz Marcelo Ferreira, com acusação do promotor Manoel Estevão da Conceição Romualdo e assistência do advogado da família da modelo, Paulo Darci Cunha. O advogado João Gonçalves de Oliveira fará a defesa. A acusação é de homicídio simples com dolo eventual. Se condenado, Mantovani pode receber pena que varia de 6 a 12 anos de reclusão.
Segundo Paulo Cunha, o principal objetivo da acusação é não deixar a defesa desqualificar o crime para homicídio culposo (sem intenção de matar). ‘‘Na minha opinião, quem pega uma arma que não conhece e aponta para outro sabe que pode vir a ferir e até matar este alguém’’, afirmou. Uma das principais peças da acusação baseia-se na perícia realizada na arma usada no crime, uma espingarda Winchester, calibre 22. ‘‘Pelas características da arma, é muito difícil acontecer um disparo acidental’’, apontou Cunha.
Já a defesa não quis se pronunciar sobre o caso. Segundo o advogado João Gonçalves de Oliveira, qualquer declaração poderia vir a prejudicar seu cliente. ‘‘Mas nossa defesa se baseia em tiro acidental’’, adiantou.
A família da modelo rejeita esta defesa mas não acredita na condenação. ‘‘Esperança a gente sempre tem, mas não acreditamos muito porque há interesses demais por trás disso’’, acusou a mãe de Loanda, a cabeleireira Tina Milani. Desde o começo, Tina Milani defendeu a tese de que o assassinato da filha teria sido encomendado pelo ex-namorado da modelo, por ciúmes. ‘‘Não fizeram nada para provar isto porque ele é de família rica e tradicional em Cornélio. E a gente sabe como são as coisas nas cidades pequenas, os ricos mandam e desmandam’’, afirmou.
Segundo ela, a família nem vai acompanhar o julgamento. ‘‘Não adianta reviver toda a nossa angústia de novo. A gente agora confia é na Justiça de Deus, porque na dos homens não dá para confiar’’, disse. A cabeleireira, porém manda um recado ao réu: ‘‘Um dia ele vai casar e ter filhos. E quero estar viva para ver ele sofrer tudo o que sofri. Porque a Justiça tarda, mas não falha. E isto não é uma ameaça. É só uma contastação’’.Antônio Mantovani será julgado em Cornélio Procópio pela morte da londrinense Loanda Milani; crime aconteceu há seis anos
Arquivo FolhaA VÍTIMALoanda Milani: tiro atingiu a testa da modeloArquivo FolhaO ACUSADOAntônio Mantovani: defesa alega disparo acidental

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