Dor e revolta marcaram o velório e o enterro, ontem, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), de mãe e filha assassinadas na manhã de Natal. Jandira Aparecida Lourenço, de 52 anos, e Sirlene Aparecida Lourenço Maravilha, de 24 anos, foram mortas a tiros, em casa. As duas chegaram a ser socorridas, mas não resistiram aos ferimentos. O acusado de cometer o crime é o pedreiro Wilson Maravilha, ex-marido de Sirlene, que não teria aceitado a última separação, ocorrida havia cerca de 15 dias.
O crime aconteceu na manhã de Natal, por volta das 8 horas. Segundo a família, Maravilha procurou a ex-mulher na casa da mãe, no Jardim José Fávaro, onde ela estava desde a separação. Ele chegou acompanhado do pai e de um irmão e tentou abrir a porta com a ajuda de uma faca. De acordo com o pai de Sirlene, Sebastião Lourenço, 52 anos, houve uma discussão e o pai de Maravilha o ameaçou com um revólver.
''Depois disso eles foram embora e um pouco mais tarde eu saí para ir ao açougue'', disse Lourenço. Maravilha, segundo ele, retornou à casa e atirou na ex-mulher e na sogra. Segundo testemunhas, o pai de Maravilha o ajudou na fuga.
Sirlene e Maravilha ficaram casados durante cerca de dez anos e, segundo a família, nos últimos dois anos passaram por várias separações e reconciliações. O motivo das separações, de acordo com Lourenço, era o comportamento do genro, que bebia e ficava muito violento, chegando a agredir a esposa. ''Várias vezes ele disse que ia mudar, que não ia beber mais. Mas, no último mês, pôs até fogo no quarto da casa onde moravam'', disse Lourenço. Eles tiveram três filhos, de dez, sete e três anos de idade.
Ontem, outra preocupação de Lourenço era com os netos, que estavam na casa do avô paterno, no Conjunto Vivi Xavier, zona norte de Londrina, onde foram passar o Natal. Ele solicitou a intervenção do Conselho Tutelar para que os netos pudessem ir ao enterro da mãe e da avó, mas eles não foram localizados. A conselheira tutelar Ana Paula Perini Cândido disse que agora o encaminhamento deverá ser jurídico, para que a família da mãe possa requerer a guarda das crianças.
Segundo a Polícia Civil de Cambé, Maravilha está foragido. O delegado Antonio do Carmo explicou que não há crime quando o pai dá guarida ao filho que comete um crime. ''A lei permite, mesmo assim o pai de Maravilha será ouvido e vamos apurar de quem era a arma'', afirmou.

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