O pedreiro Ishmael Gironde, 43 anos, foi preso anteontem na cadeia da 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão acusado de ser o autor de um assassinato ocorrido em 5 de maio de 1980, na zona rural de Campo Mourão. Gironde estava morando em Campo Grande e só foi descoberto através de investigações feitas por um dos irmãos da vítima, o bancário Pedro Nespolo, 43 anos. Ele foi pessoalmente a Campo Grande para localizar Gironde.
‘‘Durante todo esse tempo a gente vinha procurando e rastreando dados, mas foi difícil porque ninguém dava informações’’, conta Pedro. O irmão dele, Alípio Nespolo, na época com 33 anos, foi morto com um tiro de revólver e com golpes de faca. Antes da morte, Alípio foi violentamente espancado. Depois de morto, ele ainda teve o corpo esmagado por um trator com grade. O crime ocorreu na divisa entre as propriedades de Alípio e da família Gironde.
Segundo Pedro, os dois vinham se desentendendo por causa de uma erosão que se iniciava na propriedade da família Gironde e que invadia as terras de Alípio. No dia do crime, Alípio teria flagrado Gironde passando a grade do trator num pedaço de terra seu, o que teria causado uma nova discussão. Em seguida, houve o assassinato.
Na época do crime, Ishmael Gironde chegou a se apresentar à polícia e disse que executou o crime em legítima defesa e agiu sozinho. Pouco depois, ele fugiu. O mandado de prisão contra ele foi decretado em 1984. Pedro Nespolo contesta a versão de Gironde. Ele diz que o agricultor, que vinha trabalhando como pedreiro em Campo Grande, cometeu o crime junto com um irmão, que era menor de idade na época, e com um cunhado.
Pedro descobriu que Gironde estava morando em Campo Grande através da Justiça Eleitoral. Ele conseguiu um mandado de prisão itinerante e foi até Campo Grande onde localizou Gironde e entrou em contato com a polícia. O acusado não usava documentos falsos e morava com a mulher e duas filhas. A mulher dele disse que não sabia da acusação contra o marido. Os dois estão casados há 15 anos. Alípio era casado e tinha cinco filhos pequenos – o mais velho tinha 6 anos na época do crime.
‘‘Só tivemos o trabalho de recambiar o acusado até Campo Mourão’’, admitiu ontem o delegado-chefe da 16ª SDP, Roberval Butaccini. Ele explica que um crime de homicídio prescreve com 20 anos, mas alguns procedimentos da Justiça, como a denúncia e a definição de um júri popular, interrompem essa contagem. ‘‘Portanto, esse crime não está prescrito’’, ressalta. Gironde deverá continuar preso em Campo Mourão até ser levado a júri popular.

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