Acusado de fraude trabalhou de graça
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sexta-feira, 07 de maio de 1999
Valmir Denardin 
Marlos Augusto Benitez Morcilla, de 22 anos, funcionário da 16ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Foz do Iguaçu acusado de integrar uma quadrilha que fraudava a expedição de carteiras de motorista para estrangeiros, trabalhou durante dois meses e meio sem receber salário. Morcilla foi afastado do trabalho anteontem, depois que auditores do Detran começaram a investigar as denúncias.
Até dezembro, Morcilla era funcionário da Prefeitura de Foz do Iguaçu e estava cedido ao Detran por tempo indeterminado. Além dele, havia outros cinco funcionários nessa situação. Enquadrado na categoria de assessor (na sigla CC-3), seu salário era de aproximadamente R$ 1 mil. Em 1º de janeiro, ele foi demitido por meio do decreto 12.146, assinado pelo prefeito Harry Daijó (PPB) em 22 de dezembro. O motivo seria corte de despesas públicas.
Mesmo demitido, Morcilla continuou trabalhando no Detran de Foz entre 1º de janeiro e 15 de março. Nesta data, ele foi reconduzido oficialmente ao posto por um novo decreto. Desta vez, foi enquadrado na categoria CC-5, cujo salário é menor: cerca de R$ 430,00.
O secretário municipal de Administração, Adevilson Oliveira Gonçalves, disse ontem à Folha que Morcilla foi recontratado para atender um pedido da Secretaria Estadual de Governo - encarregada de administrar o pessoal dos órgãos estaduais. Segundo o secretário, apesar de a prefeitura pagar o salário dos servidores cedidos, a responsabilidade pela conduta profissional deles é do órgão que os recebe.
O diretor de Operações do Detran no Paraná, Eliseu João da Silva, disse que o órgão não sabia que Morcilla havia sido demitido pela prefeitura. Se ele não tinha salário, por que ficou trabalhando aqui?, perguntou Silva anteontem, em entrevista coletiva.
Procurado pela Folha, o advogado Douglas Ayres de Aguirre, que defende Morcilla, não retornou à ligação da reportagem. Anteontem, ele havia afirmado que seu cliente é inocente. Até então, não havia sido divulgado que o rapaz trabalhou no Detran sem receber salário.
Morcilla é acusado de integrar uma quadrilha que cobrava entre R$ 500,00 e R$ 1 mil para falsificar carteiras de motorista paraguaias para dar entrada no pedido de documento similar no Detran de Foz do Iguaçu. Com a fraude, brasileiros estariam se beneficiando da lei que permite a portadores de carteira de motorista estrangeira obter o documento no Brasil sem passar pelos testes de direção.


