Marlos Augusto Benitez Morcilla, de 22 anos, funcionário da 16ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Foz do Iguaçu acusado de integrar uma quadrilha que fraudava a expedição de carteiras de motorista para estrangeiros, trabalhou durante dois meses e meio sem receber salário. Morcilla foi afastado do trabalho anteontem, depois que auditores do Detran começaram a investigar as denúncias.
Até dezembro, Morcilla era funcionário da Prefeitura de Foz do Iguaçu e estava cedido ao Detran por tempo indeterminado. Além dele, havia outros cinco funcionários nessa situação. Enquadrado na categoria de assessor (na sigla CC-3), seu salário era de aproximadamente R$ 1 mil. Em 1º de janeiro, ele foi demitido por meio do decreto 12.146, assinado pelo prefeito Harry Daijó (PPB) em 22 de dezembro. O motivo seria corte de despesas públicas.
Mesmo demitido, Morcilla continuou trabalhando no Detran de Foz entre 1º de janeiro e 15 de março. Nesta data, ele foi reconduzido oficialmente ao posto por um novo decreto. Desta vez, foi enquadrado na categoria CC-5, cujo salário é menor: cerca de R$ 430,00.
O secretário municipal de Administração, Adevilson Oliveira Gonçalves, disse ontem à Folha que Morcilla foi recontratado para atender um pedido da Secretaria Estadual de Governo - encarregada de administrar o pessoal dos órgãos estaduais. Segundo o secretário, apesar de a prefeitura pagar o salário dos servidores cedidos, a responsabilidade pela conduta profissional deles é do órgão que os recebe.
O diretor de Operações do Detran no Paraná, Eliseu João da Silva, disse que o órgão não sabia que Morcilla havia sido demitido pela prefeitura. ‘‘Se ele não tinha salário, por que ficou trabalhando aqui?’’, perguntou Silva anteontem, em entrevista coletiva.
Procurado pela Folha, o advogado Douglas Ayres de Aguirre, que defende Morcilla, não retornou à ligação da reportagem. Anteontem, ele havia afirmado que seu cliente é inocente. Até então, não havia sido divulgado que o rapaz trabalhou no Detran sem receber salário.
Morcilla é acusado de integrar uma quadrilha que cobrava entre R$ 500,00 e R$ 1 mil para falsificar carteiras de motorista paraguaias para dar entrada no pedido de documento similar no Detran de Foz do Iguaçu. Com a fraude, brasileiros estariam se beneficiando da lei que permite a portadores de carteira de motorista estrangeira obter o documento no Brasil sem passar pelos testes de direção.

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