Guarapuava O fiscal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Luiz Carlos Zaboroski, 36 anos, foi preso ontem em flagrante acusado de tentar extorquir R$ 2 mil de um fazendeiro da região de Guarapuava. Em troca da propina, o fiscal evitaria a emissão de uma multa por coleta ilegal de água num córrego que abastece várias propriedades da região. Luiz Carlos foi indiciado na Polícia Federal (PF) pelo crime de extorsão (artigo 158 do Código Penal) e pode ser condenado a até 10 anos de prisão.
De acordo com a PF, juntamente com a notificação, feita na sexta-feira passada, o fiscal deixou o número de um telefone celular. Tudo seria esquecido mediante o pagamento da propina. Na negociação, o fiscal teria pedido R$ 2 mil. O ruralista tem propriedade no município de Turvo (54 km ao norte de Guarapuava). ''O fiscal disse que a multa por aquele crime poderia chegar a R$ 30 mil, e que o fazendeiro resolveria o problema pagando R$ 2 mil. Tudo foi acertado por telefone, o valor, o dia e a hora do pagamento'', relatou o escrivão da PF, Victor Bond. De acordo com o IAP, o valor real da multa não passaria de R$ 3 mil, com direito a redução se o infrator se comprometer a corrigir o dano ambiental.
Ontem, o fazendeiro procurou a Polícia Federal para denunciar a ''proposta''. Ele entregou em mãos ao delegado uma fita cassete contendo os detalhes da negociata. ''Ele teve um astúcia muito grande gravando toda a conversa''. O dinheiro seria entregue em espécie ontem, por volta das 13 horas, em um estacionamento de um posto de gasolina que beira a RB-277, no perímetro urbano de Guarapuava. Com apoio do Grupo Águia, da Polícia Militar, os agentes da PF fizeram o flagrante quando a propina, em notas de R$ 50,00 e R$ 100,00, seria entregue. De acordo com a PF, Luiz Carlos vinha sendo investigado internamente pelo IAP sob suspeita de praticar o mesmo crime. ''Não é nada oficial, mas vamos levantar a ficha funcional dele para apurar se isso acontecia com frequência'', afirmou Bond.
O promotor ambiental da Comarca de Guarapuava, Mauro Tobrowolski, afirmou que o fiscal vai permanecer em prisão preventiva por 90 dias, até que o processo seja concluído. O crime de extorsão é inafiançável.

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