O tratorista José Irani Ferreira, 40 anos, preso em 30 de outubro de 96 acusado de estuprar uma menor em Guarapuava, está em liberdade. O alvará de soltura expedido pela juíza Cristine Kampmann Bitencourt, da 2ª Vara Criminal diz que houve falta de provas. Casado, pai de um filho e morador da Vila Pequena, em Guarapuava, ele foi libertado no último dia 17.
Ferreira está movendo uma ação contra o Estado solicitando indenização. O advogado dele, Edson Stadler, diz que o valor pode ultrapassar os R$ 100 mil.
Em entrevista à Folha na manhã de ontem, o tratorista afirmou ter sofrido muito durante os quatro meses de detenção. Ferreira ficou num cubículo com mais seis presos e disse que sofreu diversas agressões. ‘‘Perdi até mesmo o emprego. Saio da cadeia sem ter como sustentar minha família. Alguém tem que reparar os prejuízos que sofri’’, revolta-se.
Ferreira foi preso durante as investigações sobre nove casos de estupro de menores na cidade. A polícia procurava o estuprador conhecido como ‘‘tarado da bicicleta’’ ou ‘‘monstro de Guarapuava’’.
Os crimes, cometidos contra meninas de 8 a 13 anos de idade, todas de baixa renda, causaram revolta entre a população. Uma das meninas teve que retirar o útero em consequência da violência que sofreu. O estuprador abordava as vítimas de bicicleta, oferecia algum dinheiro para que ficassem cuidando de uma criança enquanto ele iria trabalhar. Depois, levava a menina para um local ermo e a estuprava. Todas as vítimas sofreram lesões graves e tiveram que passar por cirurgia.
O delegado chefe da 14ª Subdivisão Policial, Darci Bianchini, disse que os investigadores chegaram até Ferreira através de um telefonema anônimo, mas a prisão preventiva só foi decretada após o suspeito ter sido identificado por uma das vítimas.
O reconhecimento foi feito pela menor S.A.K, de 11 anos. As outras menores que haviam sido estupradas não reconheceram Ferreira como autor dos crimes. Bianchini alegou que a prisão foi requerida por causa do reconhecimento ‘‘sem sombra de dúvidas’’ da vítima. Segundo o delegado, um parecer do Ministério Público sustentou a prisão.
A inocência só passou a ser questionada quando, no depoimento em juízo, a menor disse ter se enganado e negou que o estuprador fosse Ferreira. ‘‘Com esse novo depoimento as investigações recomeçaram’’, disse o delegado.
Em 25 de outubro de 96, a polícia também prendeu Ataíde Carlos de Assis. Ele foi reconhecido pela menor S.C.R., 11 anos, como autor das violências que sofreu. Ataíde continua preso.

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