Luciane Tonon
O comerciante Joaquim da Silva Mendes, 39 anos, de Jacarezinho, contestou as acusações feitas pelo Serviço Reservado (P2) da 3ª Companhia da Polícia Militar de Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho), divulgadas pela Folha no dia 9 de julho. Ele foi acusado de vender 14 motos que estavam com chassis raspados no distrito de Lavrinha, em Pinhalão (106 km ao sul de Jacarezinho).
Segundo o comerciante, ‘‘armaram um flagrante injusto’’ por estelionato. Ele foi preso com seu filho de 3 anos e cinco meses e sua esposa, de 25 anos, e teve apreendida uma moto ano 96 que acabara de comercializar ‘‘dentro dos trâmites normais de venda’’ com que ele trabalha.
‘‘Estas motos são sucatas adquiridas em leilão no Detran de Campinas (SP). A lei prevê que os chassis já saiam raspados do pátio do Detran e não são adulterados como fui acusado’’, explicou Mendes. Segundo ele, todos os compradores das motos assinam um contrato, cientes de que as motos são sucatas, não podem trafegar em vias públicas e nem têm direito à documentação. ‘‘As 14 motos vendidas foram para uma mesma família de sitiantes, que as utilizariam para trabalho na zona rural’’, acrescentou.
Mendes trabalha há três anos com venda de motos sucateadas, que ficam expostas ao público. Ele disse que foi muito prejudicado no comércio depois das acusações. Para ele, o agente da P2 não tinha base legal nenhuma para realizar o flagrante. ‘‘A moto que foi apreendida comigo estava em cima da minha caminhonete, portanto não circulava em via pública. Tenho todas as notas fiscais comigo, confirmando que a procedência era de leilão e por isso não tinha documentação’’, acrescentou. Mendes acusa a polícia de ir de casa em casa apreender as 14 motos sem mandados de busca. ‘‘Inclusive prendeu os agricultores como receptadores’’.
O advogado de Mendes, Maurício Martinez Pereira, entrou com pedido na Polícia Civil para que seja feita uma perícia nas motos, confirmando a procedência de leilão. ‘‘Caso haja algum obstáculo contra a liberação, vamos acionar por danos morais todos que prejudicaram Mendes’’, afirmou.
As motos estão apreendidas no pátio da delegacia de Pinhalão. Segundo o delegado Naim Nicolau, a perícia já foi solicitada e dentro de 10 dias ele deverá concluir o inquérito. ‘‘Precisamos do resultado da perícia para liberar as motos’’, disse Nicolau. Ele disse acreditar que as motos são mesmo procedentes de leilões. Já a Polícia Militar de Ibaiti, que realizou o flagrante, mantém a posição de tentativa de estelionato. ‘‘A informação que temos é que ele vendia com a promessa de legalizar a documentação depois’’, informou o comandante da 3ª Cia da PM de Ibaiti, Alberto Sérgio Plochaski.

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