Acusado de chacina é encontrado morto
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de março de 2003
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Marcos Antônio Taverna, 27 anos, réu confesso da chacina ocorrida no dia 28 de fevereiro, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, foi encontrado morto na noite de domingo, em uma cela na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP). A polícia acredita tratar-se de suicídio. Ele estava enforcado em um lençol. Na chacina, nove pessoas (oito da mesma família) foram mortos.
O diretor da PEP, Flávio Buchmann, garante que Taverna estava isolado em uma cela da sétima galeria e que ninguém teria tido acesso ao cubículo, a não ser pessoas ligadas à administração do presídio, que serviram o jantar. Todas as entradas naquela ala, segundo ele, são registradas em livro.
Buchmann afirmou que não houve tempo de observar qualquer atitude suspeita no preso, pois ele estava na PEP há menos de 48 horas. Taverna havia sido transferido do Centro de Observação e Triagem (COT) na noite da última sexta-feira, junto com o outro acusado de participar da chacina, Marcos Roberto Jardim Procecke, 26 anos, que também está preso na PEP, em isolamento.
Taverna foi encontrado por volta das 20h30. Como o corpo ainda estava quente, o diretor da PEP calcula que a morte tenha acontecido momentos antes. Buchmann relata que o detento retirou a luminária, prendeu o lençol na fiação de energia elétrica amarrado ao pescoço e pulou da mureta que isola o banheiro da cela. No quadro-negro existente no cubículo, Taverna deixou uma mensagem, escrita em giz, declarando seu amor por sua companheira e pedindo perdão por seus atos a ela e a Deus.
O delegado de Piraquara, Germino Marques Bonfim Filho, que irá investigar a morte de Taverna, disse que ''ao que tudo indica foi mesmo suicídio''. Mesmo assim, as investigações e uma sindicância interna vão apurar se alguém o induziu ou o ajudou a se matar. ''Na minha opinião, ele se matou. Depois de fazer o que fez, o sujeito não consegue mais dormir tranquilo. Ele perdeu a paz'', comentou referindo-se à morte das noves pessoas.
As investigações sobre quem encomendou o assassinato do traficante Hélio Duarte, 51 anos principal alvo da chacina , e de seus familiares continuam. A morte de Taverna, segundo o delegado operacional do Alto Maracanã, em Colombo, Messias Antônio da Rosa, não compromete muito as investigações. ''Ele (Taverna) não estava colaborando muito com relação a quem seriam os mandantes.''
Rosa disse ainda que já está investigando internos da Colônia Penal Agrícola, suspeitos de encomendar a chacina por causa de conflito pelo domínio da venda de drogas naquela unidade, onde Duarte seria o principal fornecedor.


