A prisão do vendedor ambulante Gilmar Felipe, 35 anos, acusado de rapto e abuso sexual contra uma garota de 9 anos esta semana em Sertanópolis, ajudou a esclarecer um crime considerado quase sem solução em Cambé (13 km a oeste de Londrina). A polícia acredita que ele pode ser um maníaco, que age sempre do mesmo modo para aliciar e abusar sexualmente de crianças em várias cidades.
Felipe foi reconhecido pela menina A.B.A.G., de 6 anos, como o homem que a raptou e estuprou no dia 16 de dezembro do ano passado, durante a realização de uma festa de casamento no salão paroquial do Jardim Santo Amaro. O estupro provocou ferimentos graves na menina, que precisou passar por uma cirurgia. Logo após ter alta médica, a menor mudou seu comportamento e continua sob acompanhamento psicológico.
Na época, o trauma impediu que a vítima descrevesse com exatidão os fatos que antecederam o crime. Ela dizia somente que havia sido levada a uma sala anexa ao salão principal. A informação fez as investigações se concentrarem nos funcionários e alguns fiéis da Paróquia São Francisco Xavier. Até mesmo o padre – Adimar Alves Gomes – foi ouvido, mas todos negaram ter visto a menina no anexo do salão paroquial.
Há 40 dias, graças a uma prima de 4 anos, que estava brincando com ela na parte externa do salão, o delegado Antonio do Carmo começou a mudar o rumo da investigação. No depoimento à polícia, a menina disse que as duas foram abordadas por um carro branco. Apenas A. aceitou fazer o passeio.
Com a notícia da tentativa de estupro em Sertanópolis, um comerciante do bairro onde foi realizada a festa procurou a polícia e disse que o suspeito morava nos arredores e era seu cliente. A partir desta informação, Carmo levou a pai, mãe, vítima e prima até Bela Vista do Paraíso (onde Felipe foi levado por medida de segurança) para fazer o reconhecimento do suspeito. A menina não titubeou e entre três homens apontou Felipe.
Carmo deve ouvir a esposa de Felipe, que tem dois filhos e é evangélico. O delegado quer saber quais cidades a família já residiu. Felipe é fugitivo de um presídio agrícola em Bauru, onde cumpria pena por estupro (cujas características do local e da vítima também foram as mesmas). Sob ameaça de linchamento, ele está em uma cela reservada em um distrito em Londrina (mantido em sigilo).

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