A Polícia Civil de Dois Vizinhos (46 km ao norte de Francisco Beltrão) levou o agricultor João Maria Rodrigues da Silva, 46 anos - preso sob a acusação de crimes de estupro, aborto e tentativa de homicídio -, até a propriedade dele na tarde de anteontem. O agricultor foi desenterrar o feto do aborto provocado por ele em sua filha M.F.R.S., 19 anos. Silva também é acusado de manter a família em cárcere privado e regime de escravidão.
M.F.R.S. relatou à polícia que o pai a obrigou a tomar uma ‘‘xaropada’’ para abortar o feto. Quando a filha começou a abortar, Silva arrancou o feto com as mãos e o enterrou. M.F.R.S. disse que foi obrigada a tomar o remédio porque o pai a espancava com coices, pontapés e a ameaçava de morte com uma faca.
No momento em que Silva chegou na propriedade rural com a polícia para desenterrar o feto, as mulheres da família do agricultor entraram em desespero e começaram a chorar, acreditando que Silva havia fugido da cadeia e voltado para matá-las. O feto, de um menino de seis a sete meses, foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal de Francisco Beltrão.
O agricultor é casado com I.R.S. e há 27 anos estuprou a cunhada M.I.R., que tinha 10 anos na época. Desde então viveu na mesma casa com a mulher e a cunhada. Ele teve nove filhos, dos quais 3 meninas. Silva expulsou os filhos homens de casa e é acusado de ter estuprado as filhas.
A mais velha, T.I.R.S., 24 anos, teria sido estuprada quando tinha 14 anos. M.F.R.S., que sofreu o aborto, teria sofrido estupro com dez anos. A menor M.A.R.S., 15 anos, teria sido estuprada ainda com oito anos. A filha mais velha foi esfaqueada duas vezes pelo pai. A menor M.A.R.S. teve hemorragia após o estupro e não foi levada para o hospital. A mulher, I.R.S., disse que não sabia que o marido violentava as filhas.
Silva disse à polícia que sofre de problemas mentais e por isso cometeu os crimes contra a família. Disse também que tem esperança de sair logo da cadeia e que só retornará para casa quando as filhas estiverem casadas.

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