Acusado aparece e diz que é inocente
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
Israel Reinstein 
O professor Aristóteles Smoralek Júnior se diz inocente do assassinato de sua mulher Luciene Ribeiro de Paula Smolarek, morta no Chile, na noite do último dia 7. Ontem, na presença de seu advogado, Osmann de Oliveira, Aristóteles afirmou que seriam falsas todas as acusações contra ele, feitas pela polícia chilena e também feitas pela família de Luciene. Para o professor, a polícia do Chile o teria acusado por ser o culpado mais fácil e a família de Luciene estaria interessada em conseguir a guarda de sua filha, Vanessa Smoralek.
Aristóteles afirmou que não matou a mulher e não sabe quem foi o responsável. Segundo ele, a versão apresentada pelos carabineros (policiais chilenos) foi montada através da tortura de Arnaldo Alves - testemunha que depõe contra o professor. Quem me acusa era um estrangeiro que vivia de forma irregular e deve ter sofrido pressões para falar. Todos conhecem os métodos usados pelos chilenos, disse, elogiando em seguida a eficácia e competência da polícia brasileira.
Quanto à sua saída do Chile, logo após o desaparecimento da mulher, Aristóteles afirmou que foi aconselhado pela polícia chilena e pelo consulado do Brasil em Santiago. Eles disseram que não tinha mais nada a fazer e que poderia ir para casa, disse. O professor informou que quis voltar ao Chile, mas desistiu a pedido de parentes tão logo o apresentaram como culpado.
Para viajar ao Chile, o rapaz, de 21 anos, disse que bancou a viagem de seu próprio bolso. Metade da minha renda vem das aulas particulares e a outra de investimentos da família que administro, disse, justificando também outras duas viagens.
O professor acusou a família de Luciene de ter se aproveitado da situação para ficar com sua filha, Vanessa, de oito meses. Procuramos por eles logo que soubemos da morte na segunda-feira passada (dia 10), mas eles preferiram procurar a imprensa, disse. Agora, Aristóteles avisou que a guarda da criança será disputada na Justiça.
Aristóteles afirmou que a morte de sua mulher o afetou muito, tanto que perdeu três quilos e adoeceu. Tenho esperança que o corpo encontrado não seja o dela e que ela esteja viva, disse. Ele informou que toda a documentação para o translado da mulher foi entregue ao consulado, que seria o principal culpado pela demora na liberação do corpo. Quanto às três apólices de seguro feitas por ele para Luciene antes da viagem, ele afirmou que são as tradicionais aplicadas na assistência de viagem. Sobre o futuro, afirmou ser imprevisível e sem certeza de nada.


