Emerson Cervi
De Curitiba
O advogado Antônio Pellizzetti, que representa Nelson Pomerening, 50 anos, acusado de dar um golpe de R$ 12,6 milhões na Companhia Providência, vai pedir uma indenização da empresa por danos morais a seu cliente. Ele também pretende processar a Polícia Civil do Paraná por abuso de autoridade. ‘‘Essa prisão é irregular e não tem fundamento’’, disse ontem.
Pomerening era chefe de contabilidade da Companhia Providência e uma auditoria constatou desvios de R$ 12,6 milhões das contas da empresa. Segundo a polícia, Pomerening e outros funcionários adulteravam cheques depois que os donos da fábrica os assinavam. Ele foi preso pela primeira vez em março. Na última sexta-feira a Justiça expediu um novo mandado para prisão preventiva de Pomerening e outras duas funcionárias acusadas de participar no golpe: Juçara do Rocio de Paula, 43 anos, e Léia Maria Zamuner Brum de Andrade, 43 anos. A polícia desconfiava que Pomerening estivesse se preparando para deixar o País.
Segundo Pellizzetti, ‘‘é um absurdo essa história do Nelson querer sair do País porque no dia 25 de junho a própria Justiça sequestrou os dois passaportes dele’’, disse. ‘‘Também apreenderam a carteira de contabilista do meu cliente, o que contraria a lei 5.553/68, que proíbe a retenção de documentos pessoais pela polícia’’, afirmou. ‘‘Tem muita coisa errada nesse procedimento, por exemplo, entre os bens sequestrados para um possível ressarcimento à empresa está um saleiro azul, um guarda-chuvas, um jazigo no cemitério e um espelho, isso é um absurdo’’, contou.
O advogado protocolou, no Tribunal de Alçada, pedido de habeas corpus para os três detidos na última sexta-feira. Ontem, a 1ª Câmara Criminal analisou o pedido e solicitou informações para a Central de Inquéritos. Com isso, os acusados continuarão presos pelo menos até o início da próxima semana.
Os advogados da Companhia Providência, procurados pela reportagem da Folha, disseram estar impedidos de falar sobre o assunto. Funcionários da empresa, que preferem não ser identificados, informaram ontem que o promotor de justiça, Hilton Caneparo, deve apresentar ainda hoje nova denúncia contra Nelson Pomerening, com pedido para manutenção da prisão preventiva dele.
Defesa – Na defesa que está preparando, Pellizzetti diz que os donos da companhia conheciam as ações de Nelson Pomerening. ‘‘Meu cliente tem provas que o dinheiro desviado ia para um caixa dois da empresa, que tudo era feito com o conhecimento da dona Anita, uma das donas da companhia e que existiam dezenas de contas fantasmas no Brasil e exterior para o depósito do dinheiro.’’ A Polícia Federal está investigando possível crime de evasão de divisas e sonegação de impostos pela Companhia Providência.
Entre as provas de defesa está uma foto de 1997 onde aparecem Nelson Pomerening, Anita Starostik e a esposa de Nelson na festa de aniversário de Anita. ‘‘Meu cliente trabalhava há 11 anos na Providência recebendo um salário de R$ 3 mil, mas morava em um apartamento de luxo no bairro Batel, vivia em festas da alta sociedade, usava relógio rolex de ouro e agora a mulher que pagava os salários dele diz que não havia percebido o enriquecimento do meu cliente’’. ‘‘Não dá para acreditar nisso’’, afirmou.

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