Acusada de matar filha vai a julgamento
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segunda-feira, 06 de agosto de 2001
Telma Elorza<BR>De Londrina 
A técnica em informática Lucicler Ignez Demestri, 27 anos, será julgada hoje, a partir das 13h30, pelo Tribunal de Júri, no Fórum de Londrina, por co-autoria no homicídio de sua filha Cintia Priscila, 3 anos, em 1992. Lucicler está presa no 2º Distrito Policial (DP) de Londrina desde abril, depois de passar oito anos foragida. O ex-marido de Lucicler, o paraguaio Alejandro Raul Vargas Demestri, acusado de espancar e matar a criança, ainda está foragido, residindo atualmente em seu país de origem.
Na época do crime, Lucicler, então com 19 anos, era conhecida como a Xuxa do Paraná. Ela fazia apresentações cover da apresentadora em pequenas cidades do Norte do Estado. Desde a morte de Cintia, Lucicler morou em Assunção (Paraguai) com o marido. O casal tem outras três filhas menores, de 3, 7 e 9 anos, que são criadas pela avó materna em Londrina.
Os dois fugiram para o Paraguai depois que Demestri conseguiu liberdade provisória, concedida em 93, pelo então juiz da 1ª Vara Criminal, Edson de Jesus Deliberador. O juiz alegou insuficiência de provas para realizar o julgamento. A pedido do Ministério Público, o Tribunal de Justiça anulou a sentença. Como já haviam se mudado para o Paraguai, o casal nunca foi a júri.
Segundo declarou à Folha, na época de sua prisão, ocorrida quando visitava sua mãe no Jardim São Lourenço (zona sul da cidade), Lucicler pretendia se entregar à polícia. Ela afirmou à reportagem que nunca espancou qualquer uma de suas filhas e contou que, no dia da morte de Cintia, a filha havia sido espancada por Alejandro mas também sofreu uma queda e bateu a cabeça contra o degrau da escada da casa onde moravam. Esta foi a versão que o casal apresentou à polícia e Justiça em 92.
Segundo o advogado Hamilton Laertes de Araújo, a defesa estará reforçando a tese que Lucicler nunca agrediu suas filhas. O próprio pai confessa isso e assume toda a responsabilidade pela morte da menina. Ele reconhece que agrediu e matou a filha, mas que não tinha essa intenção, disse. Para confirmar a tese, Araújo vai convocar as meninas para depor em favor da mãe e não esconde que pode haver surpresas no julgamento, talvez até a possível apresentação de Demestri em plenário. Ele me disse que não quer se redimir só com palavras, afirmou.
Para o advogado, a condenação de Lucicler seria um mau maior. As filhas precisam da mãe e a avó não tem condições de criá-las. Até o anjinho que está no céu não gostaria de ver suas irmãs sofrendo, justificou.
Na semana passada, as duas filhas mais velhas de Lucicler, Júlia, de 9 anos, e Juliana, de 7, fizeram uma manifestação solitária e comovente, em frente ao 2º DP. As duas meninas passaram a tarde inteira em frente ao distrito rabiscando e desenhando mensagens coloridas de solidariedade à mãe.


