Acusada de ajudar na venda de bebês não se apresenta
James Alberti
De Curitiba
O advogado José Antônio Farias de Brito adiou para hoje a apresentação da empregada doméstica Sirlene Aparecida Pinto, acusada de intermediar a adoção ilegal de um casal de gêmeos de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, em maio deste ano. Brito, que defende Sirlene, havia afirmado anteontem que a empregada doméstica se apresentaria ontem à tarde ao Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride).
Às 17h30 de ontem, no entanto, Brito telefonou à delegacia afirmando que Sirlene estava em Pérola, região Oeste do Estado, e só chegaria a Curitiba à noite. O delegado do Sicride, Harry Herbert, marcou o depoimento para hoje. Herbert não determinou um horário para o depoimento, que pode esclarecer onde estão as duas crianças adotadas ilegalmente em 23 de novembro do ano passado.
Os pais dos bebês, Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, e Natálio Fisrzter, 29 anos, já foram indiciados em inquérito sob acusação de terem vendido as crianças em troca de cestas básicas por um ano e material de construção. Por causa disso o crime somente teria sido denunciado cinco meses após o nascimento das crianças, ocorrido em 5 de novembro do ano passado.
Já Sirlene, que trabalhava no apartamento 31 do prédio Palace Batel, no Bairro Batel, em Curitiba, teria indicado um casal para adotar as crianças. O depoimento dela é crucial para o rumo das investigações sobre o caso. A empregada doméstica está desaparecida desde que a Folha divulgou o caso, no começo de maio deste ano.
O delegado do Sicride acredita que os bebês estão na região metropolitana. A demora de Sirlene em se apresentar seria, segundo ele, uma estratégia dos pais adotivos para ganhar tempo e concluir a adoção. O processo de adoção pode ser anulada, porém, se for verdade que Marisa e Natálio não assinaram um documento desistindo da guarda dos filhos.





