Londrina

Mário CésarOposiçãoMauro Viotto, Vera Alice Rossi, Ana Lúcia Silveira e Mônica Thomaz de Aquino, da chapa OAB Independente: ‘A máquina da OAB tem sido colocada a serviço da militância de partidos políticos’‘‘Pela primeira vez na história, a Subseção da OAB de Londrina está sendo processada na Justiça Federal, porque deu um calote de R$ 33 mil em uma empresa de informática. Ser chamada na Justiça para pagar uma conta é terrível para a imagem da nossa classe. A responsável por este fato é a atual diretoria, extremamente desorganizada, sem autonomia administrativa, sem liderança, e que está levando nossa entidade à inoperância e falência.’’ Esta afirmação é parte das acusações e denúncias que o presidente da chapa de oposição OAB Independente, Mauro Viotto, faz à chapa situacionista XI de Agosto, presidida por Adyr Sebastião Ferreira, que concorre à reeleição no próximo dia 20.
Membros das duas chapas visitaram a Redação da Folha, nos últimos dias. Eles vieram falar sobre as propostas para o novo mandato, mas acabaram centrando os discursos nos problemas e realizações da atual diretoria. ‘‘A questão da dívida com a empresa de informática realmente existe, mas não no valor que está no processo. Aliás, não pagamos exatamente por não concordar com os números propostos pela empresa, e para defendermos o patrimônio da OAB. O que houve foi uma discordância em relação ao valor. Mas continuamos a negociação, fizemos uma contraproposta, o processo já foi suspenso, e praticamente já chegamos a um acerto. Vamos pagar um preço justo e resolver esta questão em breve’’, defende-se Adyr Ferreira.
Josoé de CarvalhoSituaçãoLauro Zanetti, Adyr Sebastião Ferreira, José Nogueira Filho e José Antônio Calvo, da chapa XI de Agosto: ‘Nunca usamos a OAB para promoção pessoal; por isso os adversários nos criticam’
Em relação à falta de liderança, desorganização e ameaça de falência da Subseção, o atual presidente responde com uma quase gargalhada. ‘‘Isto é um absurdo. Este tipo de afirmação, gratuita, é no mínimo risível. Quem conhece um pouco da OAB sabe que a possibilidade de falência simplesmente não existe. Nossos adversários nos acusam de falta de liderança, talvez exatamente porque implantamos uma forma coletiva de dirigir a Subseção, dividindo as responsabilidades entre todos os diretores’’, comenta Adyr Ferreira. ‘‘Temos trabalhado em equipe, mas nunca faltei aos meus compromissos como presidente. Nenhum advogado poderá dizer que me procurou e não me encontrou, em qualquer hora de qualquer dia. A diferença é que nunca usei a OAB para promoção pessoal, como muitos já fizeram. Não quero ser presidente da Subseção para aparecer na mídia ou para ser cultuado de forma personalista; não tenho vaidades. Talvez seja por isto que nossos adversários nos critiquem.’’
Para Mauro Viotto, a direção estadual da OAB - também ligada à chapa XI de Agosto - não permite autonomia administrativo-financeira das subseções, difamou publicamente cerca de cinco mil advogados, e se utiliza da máquina da entidade para propagandas político-partidárias. ‘‘Tudo que se arrecada de anuidade em Londrina e região vai para Curitiba. Na época em que fui presidente, por três mandatos seguidos, este dinheiro ficava aqui, para investimentos no patrimônio da Subseção. Hoje, há muita dependência da OAB de Curitiba. Isto tem que mudar, precisamos de mais autonomia, mais independência nas subseções. Recentemente, a OAB acionou publicamente - pelo Diário Oficial e outros jornais - perto de cinco mil advogados, para que eles pagassem as anuidades, sendo que muitos estavam quites. Além disto, a máquina da OAB tem sido colocada, em algumas subseções, a serviço da militância de partidos políticos’’, afirma Viotto.
Adyr Ferreira apresenta outra versão para os fatos. ‘‘Este tipo de denúncia só pode partir de quem não conhece por dentro o funcionamento da OAB. O repasse das anuidades à estadual é estatutário, inevitável. A cobrança aos advogados devedores fez parte de uma campanha nacional da OAB, e aconteceu em todos os estados. A estrutura e recursos da OAB do Paraná jamais foram usados em benefício ou contra qualquer partido político’’, ressalta o atual presidente da Subseção.
Viotto acusa ainda a XI de agosto de ter desativado a Escola Superior de Advocacia - ‘‘colocaram para funcionar no lugar um arremedo de farmácia’’ - e não defender os advogados em processos ligados à questão ética. ‘‘Muitos colegas têm passado pelo vexame de processos por acusações contra a ética, sem receber a devida defesa por parte da Subseção. Muitos nos têm perguntado se a OAB é um órgão de defesa ou de acusação à classe’’, comenta o candidato da chapa OAB Independente.
‘‘Aí está mais uma evidente inverdade. A Escola Superior jamais foi desativada. Ela nunca funcionou com tanta intensidade, promovendo mais de 60 cursos nos últimos três anos. Esta acusação só pode mesmo partir de quem sequer conhece a sede da nossa Subseção. Não se pode confundir uma escola com uma sala. A escola só mudou de sala, passando a ocupar um espaço maior e melhor’’, garante Adyr Ferreira. ‘‘O aumento dos processos relativos à ética faz parte da democratização da sociedade brasileira. Eles são um direito constitucional e inerente à cidadania conquistada recentemente no Brasil. Não é a Subseção que propõe os processos, são as pessoas que se sentem prejudicadas pela atuação de um ou outro advogado. E isto é saudável, inclusive, para separar os bons dos maus profissionais, como ocorre nas outras categorias. Os processos são sigilosos e o advogado tem todas as possibilidades de defesa. A Subseção só instrui os processos, que são depois julgados pelo tribunal de ética estadual. Está tudo previsto no Estatuto da OAB, não há novidade nenhuma nisto.’’
Mauro Viotto desafia o candidato da XI de Agosto para um debate público sobre as propostas das duas chapas, as atividades e responsabilidades da Subseção da OAB, e o papel do advogado na atual conjuntura. Adyr Ferreira diz aceitar o desafio, desde que ‘‘sejam respeitados os mínimos princípios da educação e da ética; sem acusações levianas e xingamentos de baixo nível’’.

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