Acusações
desgastaram
comando da PM
Quatro situações determinaram a queda no comando das polícias Militar e Civil. São elas: a convivência do estelionatário Joni Rodrigues com o alto comando da PM, o empréstimo de R$ 350 mil do ex-comandante Luiz Fernando de Lara ao empresário Georges Pantazis, as constantes fugas de presos das delegacias de Curitiba e troca de agressões entre policiais civis e militares.
Por mais que o governador Jaime Lerner tentasse, ontem, afastar qualquer dessas possibilidades, a substituição aconteceu porque o governo precisava acalmar os ânimos de coronéis e delegados insatisfeitos com o desgaste. A Polícia Militar acabou sendo a principal atingida. A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) investiga as negociações entre Joni Rodrigues e Luiz Fernando Coutinho de Lara, filho do ex-comandante da PM. Coutinho fazia os seguros dos carros comercializados por Rodrigues com os PMs.
O alto comando, na época em que a Folha publicou as denúncias, sempre negou qualquer convivência mais próxima com Rodrigues. Ele foi condenado três vezes por crime de estelionato em Marília, no interior paulista, de onde fugiu em 1992. Desde esta época fixou residência e sua revendedora de carros em Curitiba, doou veículos para a PM e nunca teve qualquer problemas para transitar entre os oficiais, apesar de um mandado de prisão ter sido expedido em outubro de 1996 para prendê-lo.
A compra das jaquetas coreanas trouxe mais polêmica à corporação. Em abril, o empresário Georges Pantazis recebeu um adiantamento de R$ 350 mil do coronel Luiz Fernando de Lara para trazer jaquetas da Coréia do Sul, Na edição de ontem da Folha, o coronel Honório Olavo Bortolini desmentiu que a compra fosse verdadeira. Bortolini que era diretor de apoio logístico da PM na época confirmou que Lara concedeu um empréstimo pessoal para Pantazis, que já foi processado pelo ex-senador paranaense Leite Chaves quando o político era candidato ao governo em 1990.
Além das fugas das delegacias, a Polícia Civil acabou sendo envolvida em desentendimentos frequentes com a Polícia Militar. No dia 4 de agosto, seis PMs agrediram três delegados em frente a Delegacia de Crimes contra o Patrimônio. Vinte dias depois, uma investigora causou novo conflito com a PM no centro de Curitiba ao ser acusada de usar força física para vistoriar pedestres. (D.V.)

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