Acusação derruba comandante
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2002
Marta Medeiros Equipe da Folha 
Maringá - O Comando Geral do Corpo de Bombeiros afastou ontem o atual comandante do grupamento em Cascavel, Wilson Afonso Enes, acusado em quatro ações criminais por falsidade ideológica. Enes teve ainda as férias cassadas e foi obrigado a se apresentar ao comando em Curitiba.
Segundo o tenente Manoel Vasco de Figueiredo Júnior, o comandante geral, Ivaldo Marchesi, também determinou a abertura de um procedimento administrativo para apurar as denúncias sobre o uso irregular do dinheiro do Funrebom (Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros). O tenente disse que a comissão responsável pelo procedimento vai solicitar informações do Ministério Público.
Enes foi comandante em Maringá entre janeiro de 1998 e dezembro de 2000. As quatro ações criminais protocoladas anteontem pelo Ministério Público acusam o comandante de fazer declarações falsas nas justificativas para o uso de mais de R$ 12,6 mil do dinheiro de Funrebon. Nas quatro ações, Enes é acusado por 54 vezes pelo crime de falsidade ideológica.
As investigações do Ministério Público mostram que o comandante autorizava a emissão de empenhos e de ordens de pagamentos para hospedagens, compra de passagens aéreas, despesas de viagens e aquisição de materiais e serviços.
Em uma das ações, o comandante justifica o pagamento de 35 empenhos alegando que as viagens são para reuniões do Comando Geral. O MP constatou porém, por meio de uma relação oficial das reuniões realizadas pelo CG, que nenhuma delas coincidia com as datas de viagens informadas pelo comandante Enes.
Os recursos do Funrebom são recolhidos com a cobrança de um tributo no carnê do IPTU pela prefeitura e depois repassados ao Corpo de Bombeiros. Por lei, a finalidade é específica para o reequipamento dos Bombeiros.
Segundo o Ministério Público, as próximas ações serão na área cível com o objetivo de buscar o ressarcimento do dinheiro público utilizado indevidamente. O MP não revelou o teor das próximas ações, mas garantiu que os valores apurados em desvios e compras de materiais e mobiliários sem licitação são bem altos.
Um dos inquéritos abertos pela promotoria investiga inclusive o pagamento de contas pessoais da casa do comandante, como água, luz e telefone com dinheiro do Funrebon. Enes mantém residência em Maringá. A Folha tentou ontem, mais uma vez, localizar Enes. Os dois telefones celulares utilizados pelo comandante estavam desligados. Também não retornou os recados deixados na casa dele.


