Acusação caluniosa. A afirmação é do relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Edwaldo Machado, comentando a a informação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de que a PM está infiltrando espiões nos acampamentos dos sem-terra.
A acusação do MST foi feita no início desta semana e toma como base o depoimento prestado por dois policiais da P-2 (serviço reservado da PM) no inquérito que investiga o assassinato do segurança José Lopes de Oliveira, o Django. Ele foi morto em 27 de abril, durante conflito com os sem-terra, na fazenda Borborema, em Tamarana (60 quilômetros de Londrina).
Os dois policiais prestaram depoimento como testemunhas e relataram que os sem-terra vinham sendo acompanhados pelo serviço reservado da PM, nas áreas invadidas. Através do depoimento dos PMs, o delegado Jurandir Gonçalves André, que preside o inquérito, solicitou à Justiça a prisão temporária de seis sem-terra, acusados de participação no crime. Os sem-terra foram identificados pelos policiais, através de fotos ampliadas das cenas filmadas por cinegrafistas de TV.
O MST acredita que existam policiais militares infiltrados em vários acampamentos. O advogado do MST, Gerson da Silva, afirma que procurará o Ministério Público para apurar se a atividade da P-2 é ilegal ou não.
Ontem, capitão Machado refutou as acusações e afirma que a P-2 não faz papel de espião, ‘‘até porque isso é ilegal’’. Segundo ele, os dois policiais estiveram na fazenda Borborema no dia do crime atendendo uma ocorrência.
O capitão Machado ressalta que invasão de terra é uma questão social e não policial. ‘‘Quando muito, a PM é requisitada pelo Poder Judiciário para acompanhar os oficiais de Justiça na entrega do mandado de reintegração de posse’’, observa.
Por determinação do comandante do 5º BPM, o tenente-coronel Marino Ari Burille, a assessoria jurídica está verificando quais providências pode tomar contra o MST. ‘‘Quem acusa tem que provar’’, afirma o capitão Machado.
O advogado do MST diz que, no início da próxima semana, pretende apresentar o sem-terra Nivaldo Siqueira, ao delegado Jurandir André. O sem-terra é um dos três acusados que teve a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 8. Ou outros dois, Nelson (irmão de Nivaldo) e Francisco Geraldo Pereira estão foragidos. Gerson da Silva explica que, com a apresentação do sem-terra, pretende conseguir o relaxamento de sua prisão.

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