Dados do Ministério da Saúde revelam aumento no número de procedimentos de medicina não convencional, entre eles acupuntura, homeopatia e fitoterapia, no Sistema Único de Saúde (SUS). De 2007 para 2008, as consultas de acupuntura, por exemplo, cresceram 122,7%, passando de 97.240 sessões para 216.616. No caso das práticas corporais, que incluem tai chi chuan e lian gong, o crescimento foi de 358% nos últimos três anos, de acordo com o Ministério.
A coordenadora da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (Pnpic), Carmen De Simoni, aponta a criação, há quatro anos, de uma política de inclusão de procedimentos não existentes ou pouco utilizados pelo SUS como um dos fatores para a expansão da medicina alternativa. Para o presidente da Associação Brasileira de Acupuntura, Evaldo Martins, o baixo custo da técnica chinesa do uso de agulhas e a rápida recuperação do paciente contribuíram para a expansão da prática no SUS.
Na prática
No Paraná, alguns municípios ofertam a acupuntura como parte da lista de procedimentos do SUS. Em Ibiporã (Norte), por exemplo, a procura pelo atendimento cresceu cerca de 200% desde a implantação da técnica pelo Centro de Especialidades local, há quatro anos.
''No início era preciso encaminhamento médico mas hoje a procura é espontânea e, muitas vezes, por indicação de outros pacientes que já utilizaram o serviço'', comenta o fisioterapeuta e acupunturista Jorge Kataoka, que atende a rede pública de Ibiporã e também de Rolândia, Jataizinho e Nova Fátima, no Norte do Estado.
''Na acupuntura, ganham o município e o doente porque é um procedimento barato, que contribui para a diminuição na entrega de medicamentos, e porque reduz o nível de substâncias químicas no organismo do indivíduo'', opina o acupunturista, reforçando que a técnica, apesar de milenar, ainda precisa quebrar mitos. ''É um procedimento que irá sobressair nos próximos dez anos e para isso será preciso trabalhar as gerações.''
Dor crônica
Em Foz do Iguaçu (Oeste), a rede municipal de saúde só oferta a acupuntura como tratamento alternativo à população. Segundo o secretário de Saúde do município, Luiz Fernando Zartelon, os procedimentos são voltados, principalmente, para pacientes com dores crônicas ou recorrentes nos pronto atendimentos e no tratamento paliativo de portadores de câncer.
Por mês são realizados, em média, 160 sessões de acupuntura por uma equipe multiprofissional. ''Estamos reorganizando a estrutura da saúde com foco na atenção básica e pretendemos inserir as terapias alternativas neste contexto, mas é uma política de médio a longo prazo'', justifica Zartelon, que vê a medicina não convencional uma aliada para desafogar as demandas do SUS, principalmente por medicamentos.

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