Acordo tira desempregada da cadeia
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segunda-feira, 25 de março de 2002
Emerson Dias Reportagem Local 
Inês de Fátima Carnavali, presa em Londrina desde a quinta-feira passada por não depositar os R$ 50,00 mensais referentes à pensão do filho H.E.C.S, foi solta no final da tarde de ontem, depois de o advogado pagar R$ 180,00 em juízo. O pai da criança, Cláudio Celino dos Santos, que também depositou parte da pensão para tentar liberar a ex-companheira, lamentou o exagero da Justiça no caso, mas disse que foi até o fim para mostrar que não estava brincando com a vida da criança.
Desempregada desde dezembro do ano passado, Inês estava tratando de uma paralisia facial quando foi chamada à delegacia para prestar depoimento. No ofício, a surpresa: uma dívida de R$ 900,00, referentes ao atraso de um ano de pensão, mais custas judiciais. Como não tinha dinheiro para pagar pelo menos os três últimos meses em atraso (o que evitaria a prisão), Inês foi levada para o 2º Distrito Policial, onde permaneceu até às 18 horas de ontem. Não precisava ter ocorrido isso. Tenho outros três filhos que precisam de mim e estão vivendo apenas do dinheiro do governo, comentou a desempregada, referindo-se aos R$ 45,00 que recebe da bolsa-escola.
Na casa onde mora, localizada no Conjunto Avelino Vieira (zona oeste), vivem ainda a cunhada e um sobrinho, ambos com deficiência física. Até o meio-dia de ontem, a finha mais velha não sabia da história. Ela descobriu tudo depois que viu uma reportagem na televisão e começou a chorar, lamentou a cunhada Nereide Rodrigues de Almeida, lembrando que o irmão e ex-marido de Inês estava tentando pagar parte da dívida.
A história começou quando a desempregada teve um caso com o segurança Cláudio Celino dos Santos, há cerca de quatro anos. Do relacionamento extra-conjugal nasceu o menino e com ele vieram os desentendimentos. Como já tinha filhos, Inês acabou deixando H.E. (hoje com três anos) com o pai, sem saber que a atitude caracterizaria a responsabilidade pela pensão.
Segundo o advogado Everson Xavier, ontem foi feito um acordo junto à Justiça. Pedimos o relaxamento da prisão, mas não fomos atendidos. Decidimos pagar R$ 180,00 e conseguimos a concessão do Cartório (da 2ª Vara da Família) para que não cobrassem as custas judiciais, informou Xavier.
Abalada, Inês saiu da cadeia dizendo que espera resolver o caso de vez. (A cadeia) foi o pior lugar que estive na minha vida. Vou tentar agora conseguir a guarda do menino e tentar criá-lo, comentou.


