Acordo suspende sacrifício de cães
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segunda-feira, 21 de julho de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
O sacrifício dos cachorros apreendidos pela carrocinha de Campo Mourão está suspenso por tempo indeterminado. A decisão foi tomada durante reunião convocada pelo promotor Eduardo Diniz Neto com representantes da prefeitura, da Câmara de Vereadores e da Sociedade Protetora dos Animais. Eles fizeram um acordo verbal no qual a prefeitura assumiu o compromisso de, pelo menos por enquanto, não matar nenhum cachorro apreendido.
Desde o início da semana passada, quando a carrocinha entrou em funcionamento, foram apreendidos 27 cachorros. Quatro foram doados e dois retirados pelos donos. Os outros 21 continuam no canil municipal, que fica ao lado do lixão, a cinco quilômetros da cidade. Pelo acordo informal, a Sociedade Protetora dos Animais vai trabalhar pela doação dos animais apreendidos. A entidade também vai construir um canil próprio.
A procura por doações tem sido grande, mas a maioria das pessoas acaba desistindo na hora em que vê os cachorros, diz o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Márcio Nunes. Outro ponto do acordo prevê a realização de uma ampla campanha de conscientização junto à população, com a participação da SPA e da prefeitura. A Sociedade Protetora ficaria com os cachorros que não conseguissem doação.
Conseguimos avanços através do diálogo, ressaltou o promotor. Segundo ele, seria possível tentar a suspensão do sacrifício através de medidas judiciais, mas isso levaria tempo e animais poderiam ser mortos antes de se chegar a uma decisão final. Diniz explicou ainda que em casos extremos, como uma recusa da prefeitura em cumprir o acordo, o Ministério Público poderia entrar com uma ação civil pública contra o sacrifício.
Os defensores dos cães ganharam uma nova esperança na luta contra o sacrifício com a descoberta de uma lei estadual que proíbe a morte dos animais. A lei número 8.946, de 5 de abril de 1989, chegou às mãos do vereador Júlio Vieira dos Santos (PDT), através de um promotor de Curitiba. Apesar da lei, a carrocinha funciona normalmente na própria capital do Estado.


