Acordo prevê desmate de 35% de cinturão verde
Vânia Moreira
De Umuarama
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) e a Prefeitura de Cianorte (87 km a nordeste de Umuarama) fecharam acordo que prevê o desmatamento de quase 35% da reserva de mata nativa que circunda a cidade. Segundo o chefe do escritório regional do IAP em Umuarama, João Toninato, o acordo autoriza a Companhia Melhoramentos, dona da reserva, a desmatar cerca de 160 hectares de mata. Em troca, doará os 330 hectares restantes para o município, que transformará a área em parque. A Associação de Proteção do Meio Ambiente de Cianorte (Apromac) e o Ministério Público concordaram com a negociação.
Segundo Toninato, os 160 hectares a ser loteados pela Companhia já estavam muito devastados. São matas próximas a conjuntos residenciais, destruídas pelos moradores e por sucessivas queimadas, informou. Em compensação, a parte preservada do cinturão passa ao domínio público que poderá receber ICMS Ecológico e colocar em prática projetos de preservação e aproveitamento racional.
Além dos 160 hectares do cinturão, a Companhia poderá desmatar 80 hectares na zona rural. Pela proposta inicial, a CMNP pedia autorização para desmatar quase 500 hectares na zona urbana e rural em troca da doação de 330 hectares ao município. A proposta gerou muita polêmica na cidade. Depois de quase dois anos de negociações e várias vistorias do IAP, o acordo acabou sendo fechado em 240 hectares.
O prefeito Flávio Vieira (PFL) disse que Cianorte recebe pouco mais de R$ 600,00 pelo Parque Municipal do Mandhuí, 20 hectares do cinturão doados há quatro anos depois que o secretário do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, negociou pessoalmente com diretores da CMNP. Vieira calcula que a nova doação renderá mais de R$ 17 mil por mês. A prefeitura quer transformar o cinturão em parque, cercar a mata, colocar guardas para coibir depredações, investir em projetos turísticos e em educação ambiental.
Única organização não-governamental ambientalista de Cianorte, a Apromac acabou aceitando o acordo. O presidente da associação, Eleutério Langowski, engenheiro florestal do IAP, disse que há 20 anos tentava-se encontrar soluções para conter a devastação do cinturão, sem resultados.





