Os portuários e a Redram/Transbrasa - consórcio privado que administra o Terminal de Veículos e Contêineres (Tevecon), pelo prazo de 20 anos - chegaram ontem a um acordo que põe fim aos protestos no Porto de Paranaguá. Os arrumadores e condutores de contêineres concordaram na redução salarial imposta pela Redram e em contrapartida puderam manter o sistema de rodízio na contratação de mão-de-obra. Com o fim do impasse, o consórcio iniciaria por volta das 13 horas a movimentação do primeiro navio.
O navio Libra de bandeira das Bahamas, que veio do porto da cidade chilena de San Vicente com destino a Santos, estava pronto para descarregar 99 contêineres. No final da tarde, um segundo navio deveria aportar no cais do Tevecom.
O acordo entre as duas partes só saiu após um dia e meio de negociações, praticamente, ininterruptas. Os portuários e os representantes da Redram começaram uma reunião na manhã de sexta-feira, que terminou sem nenhuma solução, às 22h30 do mesmo dia. Na manhã de ontem, eles voltaram a se reunir e por volta do meio dia chegaram a um denominador comum. Cada ‘‘terno’’ de arrumadores vai receber R$ 180 para descarregar ou carregar um navio. O terno é formado por um grupo que pode chegar a seis portuários, que fazem a movimentação de contêineres em terra.
Os arrumadores concordaram em abrir mão de parte do salário mensal de R$ 800, que recebem hoje. A redução salarial foi a única maneira que eles tiveram para evitar que o consórcio implantasse o sistema de contratação de mão-de-obra fixa. No início das negociações, no primeiro semestre deste ano, a Redram ameaçava empregar 60 funcionários com carteira assinada, que fariam o serviço realizado no esquema de rodízio por 1,6 mil arrumadores.
A redução salarial foi aceita após uma comparação dos salários com portuários de outros terminais já privatizados. Em portos como o de Santos ou o Rio de Janeiro, os trabalhadores recebiam menos para movimentar contêineres.
‘‘Se nada mudar na última hora, parece que chegamos a um entendimento,’’ comemorou, com certa apreensão, o superintendente do Porto de Paranaguá, Osires Stenghel Guimarães. Ele se referia ao episódio ocorrido na metade da semana, quando os sindicalistas concordam com a proposta da Redram e cinco horas mais tarde decretaram greve no Porto de Paranaguá. Com o impasse entre portuários e a Redram, 12 navios deixaram de atracar em Paranaguá.

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