A Prisão Provisória de Londrina finalmente começou a funcionar na tarde de ontem, com a transferência de 45 presos de quatro distritos policiais da cidade. A medida foi possível graças à cessão de nove agentes da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), que foram ‘‘emprestados’’ pela Secretaria Estadual de Segurança Pública. A Secretaria tomou a decisão de ativar a unidade depois da interferência da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina.
O prédio da Prisão Provisória foi construído na zona sul da cidade, ao lado da PEL, e inaugurado na primeira semana de julho pelo governador Jaime Lerner (PFL). Na ocasião, Lerner assumiu o compromisso de transferir os presos até o início deste mês, mas o governo não conseguiu viabilizar no período a contratação dos agentes penitenciários para cuidar da carceragem.
Segundo o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, os 21 funcionários contratados deverão começar a trabalhar já na segunda-feira, junto com os agentes da PEL. Na terça-feira, o trabalho de remoção dos presos deverá recomeçar. ‘‘O objetivo é transferir na próxima semana outros 50 presos e, em 10 dias, todos os 180’’, afirmou o delegado.
Ontem, a transferência começou às 14 horas, no 2º Distrito Policial, com um forte esquema de segurança. Mais de 20 agentes das polícias Civil e Militar, inclusive com a participação do Batalhão de Choque, participaram da operação. Os presos foram levados num ônibus da ‘‘delegacia móvel’’. O 2º DP também foi o que mais teve presos removidos, totalizando 15. Já no 3º, 4º e 5º DPs, o número foi de 10 presos cada um.
Wanderci Corral informou ainda que a escolha dos detentos transferidos ontem coube aos delegados de cada distrito. A orientação era de que fossem escolhidos os presos mais perigosos. No 2º DP, no entanto, foram os 10 mais perigosos e outros cinco ‘‘menos problemáticos’’, para que pudessem ajudar nos serviços de limpeza e alimentação da prisão. Entre eles estava o flanelinha Claudinei Gonçalves, 27 anos, conhecido como ‘‘Indinho’’, que foi preso na semana passada, depois de ficar foragido da polícia por dois anos por furto de uma bicicleta.
Com o início das atividades da Prisão Provisória, a situação dos distritos policiais de Londrina - que sempre sofreram com a superlotação de presos - começou a melhorar. Ontem, o número baixou de 320 presos, distribuídos nos quatro distritos que possuem carceragem, para 275. Wanderci Fernandes diz que somente depois de transferidos 180 detentos para a Prisão Provisória é que ele vai avaliar e decidir se mantém apenas a carceragem do 2º DP em funcionamento - como era a idéia inicial - ou se haverá presos também nos outros distritos.

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